A mais recente pesquisa Datafolha indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou sua posição como principal nome do campo oposicionista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Segundo o levantamento, o parlamentar aparece tecnicamente empatado com o petista em uma eventual disputa de segundo turno, registrando 43% das intenções de voto, contra 46% do atual mandatário.
O resultado reforça a percepção de que a pré-candidatura de Flávio, inicialmente recebida com desconfiança em setores da centro-direita, ganhou consistência. O senador foi lançado como nome do grupo bolsonarista pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e o desempenho na pesquisa sugere que a estratégia começa a produzir efeitos no eleitorado.

No primeiro turno, os números também apontam aproximação entre os dois principais adversários. Lula aparece com percentuais que variam entre 38% e 39%, enquanto Flávio oscila entre 32% e 34% nos diferentes cenários testados. No cenário considerado hoje mais provável, o presidente registra 38% das intenções de voto, diante de 32% do senador do PL.
O levantamento mostra ainda que, no campo da centro-direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surge como o nome mais competitivo entre os pré-candidatos ligados ao PSD de Gilberto Kassab. Ainda assim, ele aparece distante do pelotão que lidera a disputa, com 21% das intenções de voto em um dos cenários analisados.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
Um dos sinais mais claros da consolidação do senador aparece na chamada intenção de voto espontânea — quando os entrevistados citam nomes sem receber uma lista prévia de candidatos. Na rodada anterior da pesquisa, realizada em dezembro, Flávio sequer era mencionado. Agora surge com 12% das citações. Lula, por sua vez, passou de 24% para 25%. O próximo nome lembrado é o próprio Jair Bolsonaro, que, mesmo inelegível, aparece com 3%.
Apesar de o presidente ainda liderar todos os cenários testados, a redução da vantagem e o crescimento de Flávio indicam uma reorganização da disputa no campo oposicionista, com o senador despontando como o principal antagonista do petista na corrida presidencial.
Reprovação de Lula chega a 40%
A avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 40%, segundo a pesquisa Datafolha, a sete meses do primeiro turno das eleições. O levantamento aponta que 32% dos entrevistados classificam a gestão como ótima ou boa, enquanto 26% a consideram regular e 1% não soube ou não quis responder.
Na rodada anterior do instituto, realizada em dezembro do ano passado, a avaliação negativa — correspondente às respostas “ruim” ou “péssimo” — estava em 37%. O avanço, portanto, ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A avaliação positiva permaneceu estável em 32%. Já o percentual de entrevistados que classificam o governo como regular caiu de 30% para 26%.
O patamar de 40% de avaliação negativa surge mesmo após iniciativas do governo na área econômica, como a implementação da nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 mensais — promessa da campanha presidencial de 2022 e que entrou em vigor neste ano.
Apesar da estratégia do Palácio do Planalto de enfatizar indicadores econômicos positivos, pesquisas recentes vêm gerando frustração entre aliados do presidente, que esperavam recuperação mais consistente na popularidade do governo.
Nota do escritório — O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho e elaborado 36 pareceres durante o contrato firmado com o Banco Master. Segundo a banca, o acordo vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025 e não envolveu atuação perante o STF.
De acordo com a nota divulgada pelo escritório, a consultoria jurídica foi conduzida por uma equipe de 15 advogados, com apoio de três outros escritórios especializados.
Os 36 pareceres produzidos abordaram temas variados, entre eles aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito. A manifestação ocorre 92 dias após a revelação do contrato, que previa pagamento de R$ 129 milhões em três anos. O acordo foi encerrado quando Daniel Vorcaro foi preso.