O avanço das investigações que atingem o entorno do presidente Lula, especialmente a relação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com um dos pivôs do escândalo envolvendo o Banco Master, produziu um efeito político improvável: a aproximação entre PT e Centrão para barrar a prorrogação da CPI do INSS. Tradicionalmente em campos opostos, governistas e lideranças do bloco passaram a atuar conjuntamente para evitar o prolongamento dos trabalhos da comissão, cujo prazo se encerra na próxima semana.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que a CPI deixou de ser apenas um instrumento de desgaste da oposição e passou a gerar danos diretos ao governo, ao alcançar figuras próximas ao presidente. No Centrão, o incômodo também cresceu após a divulgação de mensagens que revelam vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro com lideranças de peso, como Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil).

Diante desse cenário, consolidou-se um consenso informal de “reduzir a temperatura”. A continuidade das investigações interessa sobretudo à oposição, enquanto aumenta o temor, entre governistas e aliados, de novos vazamentos comprometedores em pleno ano eleitoral. A federação União Brasil-PP, com forte presença no Congresso, tornou-se peça-chave nesse movimento.
Apesar de o pedido de prorrogação contar com número suficiente de assinaturas, ele segue travado sob a presidência do Senado. Paralelamente, líderes do PT e do Centrão pressionam parlamentares a recuar do apoio à extensão da CPI. O episódio evidencia que, quando o risco político se amplia, adversários históricos podem convergir — não por afinidade, mas por autopreservação.
Avança – A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou a recuperação da Barragem Novo Angicos, com capacidade para mais de 4 milhões de metros cúbicos, dentro do programa estadual de segurança hídrica. Segundo a chefe do Executivo, trata-se do maior conjunto de recuperação de barragens da história do Rio Grande do Norte, com previsão de 28 estruturas revitalizadas até 2026.
Alerta – O senador Rogério Marinho (PL) denunciou atraso de quase quatro meses no pagamento do serviço de monitoramento por tornozeleiras eletrônicas no RN. De acordo com o parlamentar, a empresa responsável já notificou o governo estadual e há risco de suspensão do sistema.
Crítica – A deputada federal Natália Bonavides (PT) criticou o aumento no preço dos combustíveis no RN e atribuiu o problema à privatização da Refinaria Clara Camarão. Segundo ela, mesmo com medidas do governo federal para reduzir tributos, os efeitos não chegam ao Estado devido à lógica de mercado adotada pelo setor privado. A parlamentar informou que acionou o Ministério Público e o Procon para investigar possíveis irregularidades.
Infraestrutura – O senador Styvenson Valentim (PSDB) anunciou investimento de aproximadamente R$ 20 milhões para pavimentação de 34 ruas na Zona Norte de Natal. A ação será realizada em parceria com a Prefeitura do Natal e, segundo o senador, faz parte do conjunto de obras estruturantes viabilizadas por seu mandato.
Folia – O prefeito de Natal Paulinho Freire (União) destacou o impacto econômico do Carnaval 2026, que movimentou mais de R$ 346 milhões na capital. Segundo o gestor, o evento registrou crescimento de 75,9% em relação ao ano anterior e público superior a 1 milhão de pessoas. Paulinho afirmou que os números consolidam a estratégia da gestão de investir em grandes eventos para estimular turismo, emprego e renda.
Junta médica vira foco político
A equipe médica que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de que inclui profissionais com posicionamentos políticos e vínculos familiares relevantes, como um médico com histórico antipetista nas redes sociais e um primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aliado de Bolsonaro. A defesa utiliza os laudos dessa junta para tentar garantir prisão domiciliar, alegando agravamento do quadro de saúde após internação por broncopneumonia, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) tem rejeitado o pedido sob o argumento de que há atendimento adequado no sistema prisional. A presença desses nomes na equipe levanta dúvidas sobre eventual viés na produção dos relatórios e insere um novo elemento de tensão em um caso que já mistura política, Justiça e estratégia jurídica, ampliando o debate sobre imparcialidade e credibilidade dos pareceres médicos. boletim médico divulgado nesta quinta-feira aponta que Jair Bolsonaro “manteve boa evolução clínica e laboratorial nas últimas 24 horas”. Apesar disso, de acordo com o boletim, ainda não há expectativa de alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva).