Por mais que sustente que o Rio Grande do Norte está hoje em situação muito melhor do que a encontrada em 2019, a governadora Fátima Bezerra enfrentará forte cobrança sobre a real saúde financeira do Estado.
Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo informou que o RN e outras seis unidades da federação iniciaram 2026 no chamado “cheque especial”, sem recursos em caixa para quitar despesas herdadas de 2025 e assumir novos compromissos no último ano de mandato.

De acordo com os Relatórios de Gestão Fiscal (RGF) do último quadrimestre de 2025, enviados ao Tesouro Nacional em 31 de janeiro, o RN aparece com R$ 3 bilhões negativos em recursos não vinculados — aqueles sem destinação obrigatória por lei.
O número coincide com os dados apresentados pelo próprio governo antes do carnaval, quando Fátima reuniu a imprensa para um café da manhã.
Eis os dados oficiais:
Em 2025, a dívida financeira líquida somou R$ 3,4 bilhões — R$ 100 milhões a menos do que o estoque registrado em 2018, quando a petista assumiu o governo —, o equivalente a 17,68% da Receita Corrente Líquida (RCL), indicador que mede o que resta após as principais deduções.
A área econômica projeta encerrar o ano com a dívida abaixo de 15% da RCL. Pode ser otimismo de economista.
Quando o assunto é dívida consolidada com precatórios, porém, o cenário muda de escala: R$ 9 bilhões no ano passado, o que corresponde a 46,41% da RCL.
Sem os precatórios, a dívida consolidada recua para R$ 3,7 bilhões — 19,06% da Receita Corrente Líquida.
Em 2018, Fátima encontrou quatro folhas salariais em atraso e despesa com pessoal na casa de 63,64% da RCL.
Hoje, segundo o governo, o comprometimento com pessoal está em 56%, com um trunfo político evidente: salários em dia. A projeção é fechar o ano na faixa dos 54%.
São números superlativos — dívida bilionária, percentuais elevados — que tendem a render dividendos eleitorais à oposição e desconforto ao governo petista.
Boa parte da população não entende e não acompanha os meandros da contabilidade pública, o que abre espaço para narrativas de todas as cores do espectro político. De um lado e do outro.
Subiu no telhado
A pré-candidatura de Dr. Tadeu à Assembleia Legislativa subiu no telhado. Ontem, em entrevista ao programa Panorama 95, o prefeito de Caicó afirmou que não pretende renunciar ao cargo sem segurança política e eleitoral. Ressaltou que não embarcará em “aventura”. Traduzindo: está faltando voto.
Só sei que foi assim
O governo apresentou ontem o balanço da Operação Carnaval 2026: não houve registro de homicídios nas áreas oficiais de festa, nem de feminicídios ou latrocínios em todo o estado durante o período da operação. A governadora Fátima Bezerra mobilizou mais de 8 mil agentes em todas as regiões, com investimento de R$ 10 milhões em diárias operacionais.
Ressaca de carnaval
Concordo com a experiente jornalista Dora Kramer: a escola de samba Acadêmicos de Niterói não perdeu por causa do presidente Lula — mas o revés do rebaixamento acabou colando nele. O petista poderia ter ficado fora dessa.
Todo carnaval tem seu fim
Já Mônica Bergamo registrou ontem que Lula ficou irritado com a repercussão negativa do episódio carnavalesco. O presidente estaria incomodado com o que considera uma tentativa, dentro da própria administração e do PT, de atribuir à escola de samba a responsabilidade por eventuais quedas em sua avaliação.
Contraponto ao pai
De olho no Planalto, Flávio Bolsonaro iniciou um movimento estratégico nas redes sociais. O objetivo? Corrigir o que aliados classificam como “percepção equivocada” do eleitorado. Embora não tenha seguido carreira nas Forças Armadas, pesquisas internas indicam que parte do público o associa excessivamente ao meio militar — rótulo que ele agora tenta desconstruir.