Uma sequência recente de pesquisas de opinião trouxe um duro golpe à confiança política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu entorno no Palácio do Planalto e no Partido dos Trabalhadores. Após meses de relativo otimismo — especialmente depois do tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil e de uma aproximação cautelosa entre os dois governos — os números indicam que o governo perdeu fôlego. Mais do que oscilações momentâneas, os levantamentos sugerem um quadro de desgaste político mais profundo. Em paralelo, começa a ganhar consistência nas simulações eleitorais o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontando para uma reorganização do cenário da disputa presidencial.
Os dados convergem para um mesmo diagnóstico: a desaprovação ao governo supera a aprovação. Na pesquisa Genial/Quaest, 51% desaprovam a gestão Lula, contra 44% que a aprovam. Na Ipsos-Ipec, a proporção é semelhante: 51% a 43%. No levantamento Meio/Ideia, os números aparecem em 50,5% contra 47,2%. Já o Datafolha registra piora na avaliação negativa, que subiu de 37% para 40%, enquanto a positiva permanece em 32%. O conjunto desses resultados indica um ambiente político adverso e relativamente consolidado, indo além de crises circunstanciais.

Nesse contexto, o crescimento de Flávio Bolsonaro ajuda a ilustrar o momento político. O senador aparece com desempenho consistente tanto em cenários de primeiro turno quanto em eventuais disputas diretas contra Luiz Inácio Lula da Silva. Parte desse desempenho deriva do peso simbólico do sobrenome Bolsonaro entre eleitores conservadores. Ainda assim, o fenômeno parece ser explicado sobretudo por um fator mais amplo: o desgaste acumulado do lulopetismo após décadas de protagonismo político.
O núcleo mais fiel do bolsonarismo continua minoritário, situado entre 15% e 25% do eleitorado. Quando pesquisas apontam índices superiores a esse patamar, o impulso adicional tende a vir de votos motivados pela rejeição ao governo atual. Trata-se menos de entusiasmo por um novo projeto e mais de reação ao desgaste do ciclo político liderado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Depois de três mandatos presidenciais e décadas de influência no poder, cresce a percepção de que o lulopetismo perdeu capacidade de oferecer algo novo ao país. Esse tipo de fadiga política raramente se dissipa com anúncios ou discursos. Ela surge quando parte relevante da sociedade passa a acreditar que um projeto já revelou seus limites. E, quando esse sentimento se consolida, a reversão costuma ser difícil.
Imprensa não se intimida
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de determinar busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa no Brasil. O jornalista publicou em seu blog reportagem segundo a qual o ministro Flávio Dino utilizaria, de forma privada, um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão. Moraes afirmou que a divulgação teria envolvido a identificação de veículos oficiais, o que poderia expor autoridades a riscos de segurança, classificando a iniciativa como uma possível “empreitada criminosa”.
Flávio Dino, por sua vez, declarou que haveria normas autorizando o uso do veículo em deslocamentos privados. Ainda assim, em regimes democráticos, autoridades dispõem de instrumentos institucionais para contestar reportagens consideradas equivocadas, como direito de resposta ou ações judiciais. O uso do aparato estatal contra jornalistas levanta preocupações sobre intimidação.
Entidades representativas da imprensa reagiram à decisão. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais lembraram que a atividade jornalística é protegida pela Constituição. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo afirmou que medidas desse tipo colocam em risco todos os profissionais da área.
O episódio reforça um princípio essencial: em democracias, autoridades estão sujeitas ao escrutínio público. E é justamente esse papel que o jornalismo continuará exercendo.
As regras do IR 2026
A Receita Federal do Brasil anunciou as regras para a declaração do Imposto de Renda 2026, referente ao ano-calendário de 2025. O prazo de entrega começa às 8h do dia 23 de março e segue até 29 de maio. A declaração poderá ser enviada pelo programa tradicional ou pelo sistema Meu Imposto de Renda, com a versão pré-preenchida também disponível a partir do primeiro dia do prazo. O programa estará liberado para download no dia 20. A expectativa do órgão é receber cerca de 44 milhões de declarações.
Estão obrigados a declarar contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025. Também entram na regra quem teve rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, realizou operações relevantes na Bolsa, obteve ganho de capital na venda de bens ou possuía patrimônio superior a R$ 800 mil.