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Opinião

Caiado tenta furar a polarização

Governador de Goiás tenta ocupar espaço de centro em cenário dominado por Lula e bolsonarismo
Por O Correio de Hoje
31/03/2026 | 15:21

A escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), como candidato do PSD à Presidência da República procura abrir um espaço fora da polarização que domina a política nacional desde 2018. Parte-se da leitura de que há desgaste nesse embate entre lulistas e bolsonaristas e de que existe demanda por uma alternativa que mobilize o eleitorado. Caiado não representa uma novidade na política, mas surge como elemento novo nessa disputa, amparado pela experiência em cargos públicos. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), seria mais identificado com a ideia de renovação, embora sem sinais de viabilidade para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o campo bolsonarista.

Outros nomes com base política própria ficaram pelo caminho. Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Junior (PSD) acabaram fora da corrida justamente por não reunirem condições de enfrentar os favoritos. Nesse cenário, Caiado carrega a vantagem de representar historicamente a direita, tendo passado por uma fase mais dura, ligada à União Democrática Ruralista, e adotado atualmente uma postura mais moderada. Seu espaço não parece estar na disputa com a esquerda, mas junto ao eleitorado de centro, que oscila entre Lula e o bolsonarismo conforme o ambiente político.

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Pesquisas indicam que esse grupo tende a definir o segundo turno. Nesse ponto, Caiado se beneficia de uma imagem de moderação já testada, enquanto o campo bolsonarista precisará demonstrar essa mesma condição. O passado mais radical do governador de Goiás está mais distante do que o do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que pode facilitar a tentativa de apresentar uma direita menos associada à radicalização recente.

O presidente Lula, por sua vez, demonstra preferência por manter a disputa com um candidato ligado ao bolsonarismo, o que preserva a dinâmica de confronto entre extremos que lhe foi favorável. Em 2018, Jair Bolsonaro capitalizou o desejo de mudança em um cenário em que Lula estava impedido de concorrer, e a indicação tardia de Fernando Haddad acabou contribuindo para esse resultado.

No atual contexto, a definição do nome no campo bolsonarista ocorreu antes do prazo final, em meio à disputa interna e à desconfiança sobre a autonomia de Tarcísio. A escolha de Flávio Bolsonaro foi vista como a alternativa mais alinhada ao grupo, embora ainda exista dúvida sobre sua resistência ao desgaste de uma campanha nacional.

Caiado também apresenta vantagem no campo programático. Lula venceu em 2022 apoiado em sua trajetória e em governos anteriores, enquanto Bolsonaro buscou a reeleição com base na continuidade de seu primeiro mandato, estratégia que não foi suficiente. O eleitorado de centro demonstrava receio de aprofundamento de um ambiente já tensionado. Posteriormente, os fatos indicaram que havia, além da retórica, articulações mais graves em curso.

Para avançar, Caiado terá de levar suas propostas além do cenário estadual. O desempenho em Goiás pode servir de referência, mas será necessário convencer o eleitorado de que soluções aplicadas localmente podem ter alcance nacional, especialmente em áreas como segurança pública. Caso o cenário não apresente novos elementos, ele ainda carrega uma vantagem adicional, não pesa sobre seu nome acusações de corrupção, fator que contribui para índices elevados de rejeição tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro. Ao iniciar sua campanha com críticas à inexperiência do adversário bolsonarista, o governador sinaliza o caminho, mas ainda precisará ampliar sua presença no debate nacional.