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Informe de Correio

Álvaro e Cadu escolhem mal

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Correio de Hoje
20/03/2026 | 15:05

A troca de ataques entre o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias e o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, antecipou o clima da disputa pelo Governo do Estado em 2026. O embate é público e cada vez mais duro. Mas, ao elevar o tom e escolher o eixo da comparação entre gestões, ambos podem estar cometendo um erro de estratégia.

De um lado, Álvaro aposta no desgaste do governo estadual. Classificou a administração como “esgotada, sem rumo, sem força política e sem capacidade de apresentar soluções concretas”. Do outro, Cadu responde mirando o principal ativo do adversário: sua passagem pela Prefeitura do Natal. “Gestão fracassada” e marcada por “obras inacabadas”, disse, citando equipamentos inaugurados sem funcionamento pleno, como o Hospital Municipal e o mirante da Ladeira do Sol.

Informe do Correio

Há lastro nas críticas de ambos os lados. Álvaro tem obras e intervenções urbanas a apresentar, mas enfrenta questionamentos sobre entregas incompletas. Cadu, por sua vez, sustenta o discurso a partir da posição que ocupa, mas carrega o peso de uma área sensível e permanentemente pressionada. A Secretaria da Fazenda está no centro das tensões fiscais do Estado, com episódios de desequilíbrio, atrasos de pagamentos e dificuldades gritantes.

O problema, porém, está no terreno escolhido. Ao transformar a eleição em um julgamento de gestão — erros de lado a lado — os dois colocam no centro do debate um critério objetivo, comparável e mensurável. E, nesse ponto, há um terceiro elemento que não pode ser ignorado: o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que lidera as pesquisas e apresenta índices de aprovação superiores a 80%.

Enquanto Álvaro e Cadu concentram energia em se desconstruir mutuamente, ao escolherem comparar gestões, acabam reforçando exatamente o tipo de comparação que favorece quem hoje apresenta melhor avaliação administrativa. A polarização entre PT e PL pode até ser sedutora para ambos, por se encontrarem em desvantagem frente ao mossoroense. Mas não resolve a equação quando o eleitor é chamado a comparar desempenho.

Nem tudo são flores para Alysson, há fatores em aberto. A investigação da Polícia Federal envolvendo a área da saúde em Mossoró, ainda sem denúncia formal, representa um ponto de atenção. Mas, neste momento, trata-se mais de uma variável de risco do que de um elemento consolidado capaz de alterar o cenário.

A eleição de 2026 ainda está em construção. Mas um erro já começa a aparecer com nitidez: não basta polarizar. É preciso escolher bem o campo de disputa. Na política, não vence apenas quem ataca melhor. Vence quem entende o jogo e define onde ele será jogado. Será que Álvaro e Cadu irão insistir na comparação de gestões?

A vez de Samanda

Política é oportunidade e decisão. A da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no cargo e abrir mão da disputa ao Senado acabou produzindo um efeito político mais amplo dentro do próprio PT. A indicação da vereadora Samanda Alves, presidente estadual do partido, como pré-candidata no lugar de Fátima, interfere na correlação de forças internas, antecipando uma transição que ocorreria em ritmo mais lento a partir do próximo ano, o que pode significar a construção de um novo polo de liderança dentro da legenda.

Historicamente estruturado a partir dos grupos ligados à própria Fátima Bezerra e ao deputado federal Fernando Mineiro (PT), o PT potiguar passa a conviver, a partir desse movimento, com mais um elemento num terceiro eixo em formação, ainda em consolidação, mas já politicamente relevante, composto por quadros mais jovens, que buscam espaço e protagonismo; é nesse espaço que Samanda se projeta a partir de agora, com sua pré-candidatura ao Senado – com o apoio de Fátima.

A entrada de Samanda altera o equilíbrio interno ao introduzir um novo centro de gravidade, com impacto direto sobre lideranças que já ocupavam esse espaço, em especial a deputada federal Natália Bonavides (PT), que até então se colocava como principal expressão da renovação petista no Estado.

Samanda não tem experiência em disputas majoritárias, mas é inegável a força do apoio direto da governadora Fátima Bezerra, ainda hoje a principal liderança do PT no Rio Grande do Norte.