O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) reconheceu pela primeira vez de forma pública a possibilidade de abrir conversas com o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), caso ele decida disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Embora frise que Allyson ainda não declarou intenção de concorrer, Álvaro admite que há espaço para diálogo e até mesmo para um entendimento amplo da oposição em torno de um único nome.
“Eu nunca ouvi Allyson dizer que é candidato ao governo. Vejo a imprensa especular, mas ele próprio não afirmou. Se decidir, vamos conversar”, afirmou Álvaro, à rádio Clube FM ontem. Para o ex-prefeito, a definição só deve ocorrer até março do próximo ano, prazo legal para que Allyson renuncie ao cargo e se apresente como candidato. Até lá, as conversas seguirão em aberto.

Na mesma linha, Álvaro lembrou que a sua própria pré-candidatura também nunca foi oficializada. “A imprensa fala dessa possibilidade, mas eu mesmo nunca disse que era candidato. Existe essa chance, mas não há decisão tomada”, explicou. Ele defende que, caso vários nomes se coloquem, o bloco de oposição busque critérios comuns para evitar a pulverização de candidaturas.
Segundo Álvaro, se confirmada a presença de mais de um postulante, será necessário um esforço conjunto para tentar unificar. “Teremos aí três pré-candidatos ao governo. Vamos nos reunir, discutir, adotar critérios e, se possível, sair com apenas um. Um grupo unido tem muito mais força e peso eleitoral”, avaliou.
A possibilidade de uma composição entre ele, Allyson e outros nomes como o senador Rogério Marinho (PL) e o senador Styvenson Valentim (PSDB) foi chamada pelos entrevistadores de “quarteto fantástico”. Álvaro prefere cautela, mas não descarta a união. “Se houver possibilidade, é melhor. Todo mundo dentro do mesmo grupo cria uma candidatura mais consistente e com maior chance de vitória”, disse.
A defesa de unidade surge em um contexto em que Álvaro relembrou feitos de sua gestão em Natal, como o programa “Asfalto Novo”, com R$ 120 milhões investidos em recapeamento de avenidas como Coronel Estevam, Floriano Peixoto e Jaguarari, além de R$ 40 milhões aplicados na requalificação da Felizardo Moura. O ex-prefeito reforçou ainda obras como a engorda de Ponta Negra, o Complexo Turístico da Redinha e o Hospital Municipal, que, segundo ele, está pronto para entrar em operação.
Ao ser questionado sobre o futuro, Álvaro insistiu na necessidade de diálogo interno. “É natural que a oposição converse e busque pontos em comum. Vamos aguardar as decisões pessoais de cada um, mas há espaço para entendimento”, concluiu.
ANTES E DEPOIS
A governadora Fátima Bezerra (PT) fez as contas e chegou à conclusão: qualquer comparação de índices do seu governo, sobretudo com antecessores, dá larga vantagem à gestão petista, com avanços em diversos setores, inclusive em áreas como desenvolvimento econômico e fiscal. Pelo que anda afirmando, deverá pautar sua campanha ao Senado na base da comparação entre o antes e depois do seu governo.
CANDIDATÍSSIMO
Não resta nenhuma dúvida de que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), será candidato a governador. Inclusive, deverá antecipar a renúncia ao cargo para janeiro, três meses antes do prazo legal. O objetivo é circular pelo Estado. Ele pretende ir a todos os municípios.
FECHADO
Outra coisa sobre a qual não resta dúvida: a aliança de Allyson com a senadora Zenaide Maia (PSD) é prego batido e ponta virada. A mulher do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PSD), concluiu que o jovem bem avaliado prefeito de Mossoró poderá ser decisivo como cabo eleitoral no projeto de reeleição dela.
TOCANTINS
A Justiça afastou do cargo o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), por seis meses. Ele é alvo de operação da Polícia Federal nesta quarta-feira 3. A decisão é do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e será levada para análise especial da Corte. A retirada de Wanderlei Barbosa do cargo é resultado da investigação da PF, que apura desvios de recursos durante a pandemia de Covid-19 no estado. O prejuízo estimado seria superior a R$ 73 milhões. Barbosa é suspeito de chefiar a organização criminosa, segundo a PF. De acordo com a investigação, parte do dinheiro desviado foi usado para construir uma pousada de luxo em nome do filho do governador. Mais de R$ 2,4 milhões foram enviados para o empreendimento em dois anos.
INVESTIGAÇÃO
A PF apura fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados financiados por emendas parlamentares em 2020 e 2021. Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas. Os contratos do governo do Tocantins investigados pela PF e STJ envolvem a compra de pelo menos 1,6 milhão de cestas básicas durante a pandemia. A suspeita da polícia é de que os contratos, que chegavam a quase R$ 5 milhões, foram pagos, mas nem todas as cestas foram entregues à população.
TARCÍSIO NO PL
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em entrevista ao Estúdio I, da GloboNews, nesta quarta-feira 3, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (hoje no Republicanos), só se filiará ao partido se tiver o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro para 2026. A declaração foi dada em resposta a questionamentos sobre a preferência do partido, considerando que Eduardo Bolsonaro já manifestou a intenção de deixar a legenda caso Tarcísio se filie. “O Tarcísio só vem para o PL se o Bolsonaro apoiá-lo para presidente”, disse Valdemar Costa Neto.
LEI MAGNITSKY
A Casa Branca já começou a conferir se os bancos brasileiros estão cumprindo de fato as exigências previstas na Lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que conduz o julgamento de Jair Bolsonaro, aliado de Donald Trump. De acordo com pessoas a par do assunto, os bancos brasileiros foram notificados pelo governo americano sobre o cumprimento da norma, mas o assunto é tratado com muita discrição pelas instituições brasileiras.