Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT) têm um desafio comum na reta final da campanha: convencer o eleitor a comparecer às urnas no domingo 25. No primeiro turno, 488.493 pessoas deixaram de votar no Rio Grande do Norte, uma abstenção de 18,39%, segundo os dados da totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O contingente é mais de 31 vezes superior à diferença de 15.509 votos entre os dois candidatos. Allyson recebeu 733.809 votos, contra 718.300 de Cadu.
No cenário de disputa apertada, preservar a participação de quem já escolheu uma candidatura e alcançar parte dos ausentes são tarefas que podem pesar tanto quanto conquistar novos apoios políticos.
O segundo turno modifica a estrutura de mobilização. Com as disputas para deputado e senador encerradas, deixam de existir campanhas próprias que, na primeira etapa, multiplicavam reuniões, visitas e contatos com eleitores. A preocupação é especialmente relevante no interior, onde lideranças locais tiveram participação direta nas candidaturas proporcionais. Prefeitos, vereadores e parlamentares eleitos passam a ser cobrados pelo empenho nas duas disputas restantes. A adesão formal a Allyson ou Cadu, porém, não assegura que os apoiadores dessas lideranças mantenham o mesmo interesse pela votação.
Os números também mostram que há públicos diferentes a disputar. Além dos quase 488,5 mil ausentes, a eleição para governador registrou 76.524 votos em branco e 104.522 nulos. Outros 530.580 eleitores escolheram Álvaro Dias (PL), eliminado do segundo turno. São grupos com comportamentos distintos: quem não compareceu pode ter enfrentado dificuldades práticas, enquanto quem anulou o voto ou escolheu outro candidato pode precisar de razões adicionais para aderir a um dos finalistas.
Nacionalmente, a abstenção atingiu 21,08%, com mais de 33 milhões de ausentes. Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo apontou, entre as justificativas para não votar, distância do local de votação, outros compromissos e filas, indicando que a mobilização também depende de informação e condições de acesso.
SEGUNDO TURNO
Quarto colocado na disputa para o Senado, Coronel Hélio (PL) afirmou que não votará no PT no segundo turno para o Governo do RN, mas evitou declarar apoio a Allyson (União), adversário de Cadu de Lula (PT). Hélio sustentou que segue a orientação de concentrar esforços na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). “Estou muito focado na campanha do 22 aqui no Estado”, declarou.
NEUTRO
O deputado estadual reeleito Francisco do PT contestou a posição de neutralidade que Allyson Bezerra (União) mantém na disputa presidencial. “Não existe essa história de candidatura neutra”. Segundo Francisco, Allyson “não assume a sua condição de candidato bolsonarista” porque sabe que parte de sua votação veio de lulistas. O líder do governo Fátima Bezerra na Assembleia confirmou que conquistar esse eleitorado é uma das estratégias petistas para o segundo turno.
OLHO EM 2028
O empenho de Paulinho Freire (União) na campanha de Allyson Bezerra tem alcance além da eleição estadual. Ao mobilizar sua base para ampliar a votação do aliado em Natal, o prefeito também busca conter o fortalecimento do PT na capital, onde Natália Bonavides (PT) desponta como possível adversária em 2028. Uma vitória expressiva de Allyson daria a Paulinho uma demonstração de força eleitoral e um parceiro no Governo do Estado. Allyson já se comprometeu com a reeleição de Paulinho daqui a dois anos.
XADREZ
O apoio de Fábio Dantas a Cadu de Lula, combinado com o voto em Flávio Bolsonaro, ilustra como as rivalidades municipais atravessam a polarização nacional. Em São José de Mipibu, o alinhamento do grupo de Kleber e Severino Rodrigues com Allyson ajuda a explicar o movimento do ex-vice-governador para o campo adversário. Já em Parnamirim, a rivalidade entre a prefeita Nilda Cruz e o comunicador Salatiel de Souza não impediu que os dois subissem juntos no palanque do ex-prefeito de Mossoró.
FREIO NAS INDICAÇÕES
Davi Alcolumbre (União-AP) negocia elevar para 55 ou 60 anos a idade mínima para indicação ao STF, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial. A mudança poderia ser votada rapidamente após o segundo turno e busca limitar a influência duradoura da direita na Corte, com uma espécie de mandato informal. Atualmente, o ingresso é permitido a partir dos 35 anos, com aposentadoria aos 75.