Em 2026, os brasileiros escolherão os governantes do próximo quadriênio. De uma maneira ou de outra, eleições nos levam a pensar o que significa governar e o que diferencia um bom de um mau governo. Fazemos isso por meio de uma espécie de julgamento político dos atuais governantes e a partir do que políticos e partidos têm a nos oferecer. Às vezes, escolhemos quem consideramos efetivamente um bom governante, mas, em outros momentos, partimos para a escolha do menos pior.
Na Ciência Política, esse movimento é chamado de “voto retrospectivo”. Quando um governo é considerado bom ou menos ruim do que as alternativas disponíveis, tende a ser sufragado. Mas, por outro lado, quando o governo é reprovado, o eleitor tende a buscar uma alternativa. Para captar o humor do eleitorado, cientistas políticos recorrem às pesquisas de opinião, o termômetro mais direto de aprovação ou reprovação de um governo.

O passo seguinte é o de segmentar a opinião, visando descobrir como pensam os homens, as mulheres, os jovens, os adultos, os mais velhos, e assim por diante. Sexo, faixa etária, escolaridade e renda tendem a ser os segmentos preferidos pelos analistas, mas também são comuns segmentos territoriais (rural e urbano, capital e interior etc).
Não existe um número fixo para determinar o humor geral do eleitor, se ele tende a reconduzir um grupo político ou se ele tende a escolher um opositor, mas uma parte ou fração dos eleitores que aprovam um governo tende a votar pela sua recondução. Quando o governante é o candidato, essa fração é maior, mas, quando é um candidato identificado como o “candidato do governo”, então essa fração costuma ser menor.
No Rio Grande do Norte, de acordo com as mais recentes pesquisas eleitorais, o governo estadual é aprovado por cerca de 1/3 da população acima de 16 anos de idade. Por esse índice, o leitor pode facilmente detectar um favoritismo da oposição, que se beneficia da ampla reprovação do governo.
Nos próximos meses, o governo Fátima Bezerra trabalhará para aumentar a sua taxa de aprovação, divulgando obras e conquistas dos dois mandatos, com o intuito de maximizar as chances do pré-candidato do PT, Cadu Xavier.
Por outro lado, os opositores tenderão a esquadrinhar os segmentos do eleitorado com quem eles podem dialogar. O ex-prefeito da capital e pré-candidato Álvaro Dias (PL) buscará fortalecer sua base eleitoral na Região Metropolitana de Natal, mas também buscará ampliar seu eleitorado no interior.
O pré-candidato Allyson Bezerra (União Brasil), por sua vez, que tem sua base eleitoral no interior do Estado, buscará ampliar o seu eleitorado na capital.
As campanhas políticas partem de discursos e ideias mais amplas, mas também se ancoram em discursos e ideias segmentadas. Nesse ponto em particular, os pré-candidatos terão de lidar com o que parece ser o problema mais crítico para os próximos anos, que é o gasto do governo com servidores ativos e inativos. Este provavelmente será o eixo das propostas programáticas, mas sobretudo o terreno em que os candidatos vão atacar uns aos outros, apontando contradições, insuficiências e incapacidades.
*Anderson Santos é doutor em Ciências Sociais e professor do Departamento de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)