Em meio à variedade de números nas pesquisas, é fácil se enganar sobre uma pergunta fundamental: o eleitor conhece realmente os candidatos? A questão é antiga e atende em inglês, entre outras expressões, pelo nome de recall, termo que se converte em nossa língua para “lembrança”. Nas sondagens de opinião, uma das maneiras de medir a lembrança (positiva) ocorre na pergunta espontânea, em que se indaga ao eleitor em quem vai votar sem apresentar nenhum nome para a escolha.
De minha parte, prefiro medir o grau de conhecimento perguntando diretamente ao eleitor o quanto conhece de cada candidato. O Datafolha, por exemplo, faz isso com frequência, por meio de alternativas que variam do “não conhece” e “conhece só de ouvir falar” até o “conhece um pouco” e “conhece bem”. Um ponto que tende a ser esquecido nas discussões sobre a competição de governador do Rio Grande do Norte é justamente examinar o quanto o eleitorado potiguar conhece e se lembra dos três candidatos competitivos que ora estão na corrida. A tarefa é complicada, pois raramente as pesquisas feitas por aqui perguntam o grau de conhecimento das pessoas sobre quem são os aspirantes.

A tendência dominante no comentário político é supor que o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), por ser o líder na maioria das sondagens, é muito conhecido. Nesse recorte, o candidato petista Cadu Xavier seria o desconhecido e Álvaro Dias (PL), ex-prefeito de Natal, estaria num meio-termo. Entretanto, minha hipótese é que os três competidores, incluindo Bezerra, são na verdade pouco conhecidos e não têm alta lembrança no eleitorado estadual como um todo. Por quê? Nenhum deles jamais disputou como titular uma eleição de senador ou governador; nenhum deles ocupou alguma vez uma dessas posições majoritárias estaduais.
Isso sugere que há espaço para a persuasão eleitoral, em várias direções, a partir da ampliação inevitável do reconhecimento de nome durante a campanha. Bezerra, por exemplo, pode ainda cair, em se tornando mais conhecido do eleitorado de Natal e de áreas mais distantes de Mossoró. Isso dependerá da eficácia informativa de eventuais ataques adversários que minem a simpatia gerada por seu emprego de redes sociais. Xavier terá mais dificuldades por ser o postulante de um governo mal avaliado, mas a divulgação ampliada de suas características pode quiçá levá-lo ao segundo lugar. Dias, por fim, poderia assumir o primeiro lugar se as pessoas fora de Natal e de sua cidade natal (Caicó), após conhecê-lo na campanha, julgarem que se trata do melhor nome.
No meu modelo, o baixo nível de conhecimento de quem são esses aspirantes é precisamente um dos fatores que tornam a presente disputa de governador mais incerta que a de 2022.