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Eleições 2026

Apoio a Rafael Motta ainda não foi decidido internamente pelo PT, diz Brisa

Vereadora afirma que partido discutirá a composição da chapa majoritária no encontro de tática, marcado para 24 de julho, e ressalta tradição de democracia interna da legenda
Por O Correio de Hoje
15/07/2026 | 14:26

A vereadora de Natal e pré-candidata a deputada federal Brisa Bracchi (PT) afirmou, nesta terça-feira 14, que o apoio do PT à candidatura do ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) ao Senado ainda não foi definido pelo partido — apesar de Rafael já ser tratado como integrante da chapa petista no Estado. Segundo Brisa, o tema ainda será discutido nas instâncias internas da legenda.

“Na verdade, essa discussão ainda não aconteceu no PT. Essa discussão vai ser feita no encontro de tática do partido. O encontro de tática ainda não aconteceu. É onde, como o próprio nome diz, a gente vai discutir e votar a tática que o PT vai ter para esse momento das eleições de 2026”, afirmou a vereadora, dizendo que a expectativa é que a decisão aconteça em uma reunião em 24 de julho.

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Vereadora de Natal Brisa Bracchi (PT) - Foto: Francisco de Assis / CMN

A declaração de Brisa Bracchi acontece no mesmo dia em que veio à tona uma nota assinada pela corrente “Articulação de Esquerda”, ala interna do PT ligada à deputada federal Natália Bonavides e ao vereador Daniel Valença. No texto, o grupo defende que o PT não apoie Rafael Motta para o Senado, e sim um nome indicado pelo Psol. Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores. O PT já definiu que terá a candidatura da vereadora de Natal Samanda Alves (PT) e trabalha a escolha do segundo nome.

Brisa explicou que o documento representa apenas a posição da corrente interna, e não do partido como um todo. Relatou que o texto divulgado foi encaminhado inicialmente para discussão interna e acabou se tornando público posteriormente. Ela afirmou que considera legítimo o debate e destacou que o PT possui uma tradição de democracia interna, na qual diferentes correntes políticas podem defender posições divergentes antes da deliberação partidária.

“Essa é uma posição da corrente política de Natália. O PT é um partido real que existe, tem vida partidária, tem e reúne instância partidária. A gente tem todo espaço democrático para ter opiniões divergentes dentro do partido. Acho que isso é muito bonito também, porque a gente defende a democracia fora e dentro do PT”, declarou. Em seguida, acrescentou: “(A nota) Traz uma discussão que é saudável. Não acho que seja uma discussão errada, errônea.”

Questionada se concordava com a proposta apresentada pela corrente de Natália, Brisa evitou antecipar sua posição. Ela lembrou que integra outro grupo interno do PT — a corrente Democracia Socialista — e afirmou que essa discussão deve ocorrer prioritariamente dentro das instâncias partidárias.

“Nós vamos fazer essa discussão prioritariamente dentro do partido. A gente acha que essas discussões de discutir a tática têm que ser feitas no espaço interno do partido”, disse. A vereadora acrescentou que, independentemente do resultado, o partido tende a atuar de forma unificada durante a campanha. “Vamos ter os momentos de discussão interna, vamos ter as diferentes opiniões, mas eu tenho certeza também que, depois que votar e for definida a tática, vamos sair todo mundo para pedir voto.”

Movimento semelhante aconteceu nas eleições de 2022. Naquela ocasião, parte do PT criticou o apoio à candidatura ao Senado do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (na época filiado também ao PDT). No fim das contas, porém, o partido se uniu em apoio à chapa.

Durante a entrevista, Brisa reconheceu que existe resistência ao nome de Rafael Motta em parte da militância petista. Segundo ela, esse sentimento está relacionado principalmente ao posicionamento adotado pelo ex-deputado durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

“Parte da nossa militância ainda tem uma memória muito viva do que foi a posição de Rafael Motta na época do golpe contra a presidenta Dilma. Infelizmente, ele era deputado federal e naquele momento foi favorável ao golpe da presidenta Dilma”, afirmou, corrigindo em seguida a expressão para “impeachment”, após intervenção de um dos entrevistadores.

Ao mesmo tempo, Brisa ponderou que também existem argumentos favoráveis à manutenção de Rafael na chapa majoritária e reconheceu sua trajetória política no Estado.

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Ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) – Foto: Instagram / Reprodução

“Existem motivos também justificativos dessa posição receosa com o nome de Rafael, assim como também existem motivos justificativos para a defesa e a permanência do nome de Rafael Motta na chapa. De fato, também é um político que tem uma trajetória no Rio Grande do Norte, que pode ajudar a ampliar”, declarou.

A vereadora disse acreditar que, depois da deliberação interna, todas as lideranças do PT atuarão em favor da chapa aprovada, independentemente da posição defendida durante o debate.

“Eu acredito que, com a tática definida, esse debate vai ficar na instância interna e Natália, a governadora, eu, todos os parlamentares públicos do PT, vamos pedir voto. Vamos pedir voto para uma mesma chapa”, afirmou.

Brisa também comentou o apoio já manifestado pela governadora Fátima Bezerra (PT) à pré-candidatura de Rafael Motta ao Senado. Ela reconheceu que a opinião da governadora tem peso dentro do partido, mas ressaltou que não substitui o processo decisório das instâncias petistas.

“É claro que tem um peso. A governadora é a maior liderança do Partido dos Trabalhadores aqui do Rio Grande do Norte. O que é muito bacana também é que a opinião dela não é uma ordem. A governadora pode ter uma opinião, outro parlamentar pode ter outra opinião e a gente vai fazer essa discussão de forma saudável, democrática, internamente. Claro que a opinião dela tem muito peso, mas não necessariamente é uma ordem”, declarou.