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UPA

Homem morre em cadeira de rodas em recepção de UPA no DF

Caso ocorreu na tarde de sexta-feira 20; Iges-DF diz que paciente não tinha ficha de atendimento aberta e estava em situação de vulnerabilidade social
Redação
22/06/2026 | 14:14

Um homem em uma cadeira de rodas morreu no dia 20 de junho enquanto aguardava na recepção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Recanto das Emas, no Distrito Federal.

Após a constatação da morte, a filha foi comunicada e recebeu atendimento da equipe de serviço social da unidade. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o homem sentado na cadeira de rodas, com braços e cabeça caídos na recepção.

vilmar vai ao banheiro
Caso ocorreu na recepção da UPA do Recanto das Emas; Polícia Militar isolou a área após constatação da morte - Foto: Reprodução

O Iges-DF (Instituto de Gestão Estratégica em Saúde), responsável pela unidade, informou que o homem não aguardava atendimento médico no momento da ocorrência. Segundo o instituto, ele era uma “pessoa em situação de vulnerabilidade social”.

“Homem não possuía ficha de atendimento aberta e não havia passado por classificação de risco ou qualquer outro procedimento assistencial”, informou o instituto. A entidade disse também que ele era conhecido das equipes e frequentava o local com regularidade em razão da condição de vulnerabilidade social.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram testemunhas tentando impedir a retirada do corpo até a chegada da polícia. “Não vai tirar não, ele está morto, está todo mundo vendo aqui”, dizem testemunhas. “Não é para levar que a polícia está chegando.” Outra imagem mostra a Polícia Militar do Distrito Federal isolando a área ainda com o corpo na cadeira de rodas.

Por volta das 14h30, pessoas que estavam no local perceberam “uma alteração no homem e acionaram a equipe da unidade”, segundo o Iges-DF. Profissionais de saúde realizaram avaliação e constataram a ausência de sinais vitais. Em seguida, Polícia Militar do Distrito Federal e Polícia Civil do Distrito Federal foram acionadas para os procedimentos legais.

O instituto informou que adotou providências após tomar conhecimento do caso e instaurou procedimento apuratório “destinado a esclarecer, com rigor, transparência e imparcialidade, todas as circunstâncias do ocorrido”. A entidade afirmou ainda que “reafirma seu compromisso institucional com a prestação de uma assistência segura, humanizada e de excelência à população do Distrito Federal” e que “seguirá colaborando integralmente com os órgãos competentes”.

A família relatou que Vilmar da Silva, de 49 anos, tinha histórico de problemas de saúde após um episódio de convulsão há cerca de cinco anos, que resultou em traumatismo craniano e longo período em coma.

“[Ele] ficou bem debilitado depois que saiu do hospital porque ficou seis meses em coma“, disse a filha Emily Silva.

Segundo ela, após a internação, o homem passou a enfrentar agravamento do quadro de saúde e também convivia com alcoolismo, além de períodos em situação de rua.

“Porém há 2 meses atrás eu consegui convencer ele de vir para minha casa e ele veio, ele estava 2 meses comigo. No dia do ocorrido que aconteceu na UPA, tinha 2 dias que ele que ele tinha pedido para sair da minha casa e foi e voltar para o Recanto e foi assim que aconteceu”, relatou.

A filha Emily afirmou ainda que soube da morte por meio da circulação de vídeos nas redes sociais. “No Recanto, a gente é bem conhecido, meu pai é bem conhecido, todo mundo conhece. Então, na hora que começou a circular os vídeos na internet, o familiar começou a ligar para gente”, disse.

A outra filha, Evelyn Silva, disse que a forma como recebeu a notícia foi “horrível, cruel e devastadora”. “Eu descobri através de redes sociais, infelizmente. Então, automaticamente eu me dirigi a UPA. Fui atendida pela assistente social, pela gestora da UPA. E aí, que estamos agora esperando a liberação do corpo”, afirmou.

Ela também afirmou que o pai era “um homem incrível, trabalhador”, mas que nos últimos anos passou a viver em situação de rua em razão do alcoolismo.

“Por causa das inúmeras vezes que ele foi parar lá [na UPA], toda vez já falavam que era conta do álcool, que era do álcool e nem se prestavam a fazer um exame decente para saber se o álcool tinha provocado alguma coisa ou se ele tinha adquirido alguma doença”, relatou.

“Evelyn completou: “O que a gente sabe é que ele estava morto dentro de uma unidade hospitalar e nenhum segurança, nenhum médico, nenhum enfermeiro se deu ao luxo de conferir se ele estava vivo ainda. Isso ainda é admissível”.