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Convite
Bolsonaro diz que foi convidado por Trump para reunião do G7
Encontro estava previsto para junho, mas foi adiado por conta da pandemia
Folha de S. Paulo
02/06/2020 | 08:40

O presidente Jair Bolsonaro, em publicação no Twitter, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o Brasil para participar da cúpula do G7 deste ano, no que seria uma vitória para o Planalto.

O grupo, que reúne as maiores economias do mundo (EUA, Alemanha, Canadá, França, Reino Unido, Itália e Japão), terão os americanos como anfitriões da reunião de 2020.

O encontro estava previsto para ocorrer em junho, mas, devido à pandemia de coronavírus, Trump anunciou que ele poderá ocorrer em setembro ou novembro. Mesmo o calendário do final do ano ainda está em dúvida por conta da crise sanitária.

“Conversei, na tarde de hoje, com o presidente Donald Trump, a quem agradeci o envio de 1.000 respiradores, sendo que 50 serão cedidos ao Paraguai. Também conversamos sobre o G7 expandido, o qual o Brasil deverá integrar, bem como questões do aço brasileiro”, escreveu o presidente, referindo-se a uma ligação telefônica mantida com o americano na tarde desta segunda-feira (1º).

Trump disse há poucos dias que gostaria de ver o G7 ampliado, um fórum que ele classificou como desatualizado.

Na ocasião, sem citar o Brasil, ele afirmou que a Rússia deveria ser readmitida no grupo e que também convidaria Austrália, Índia e Coreia do Sul para comparecerem à cúpula deste ano.

“Eu não acho que o G7 representa de forma adequada o que está acontecendo no mundo”, disse Trump no sábado (30) a um grupo de repórteres, segundo o jornal The New York Times.

Não está claro se Trump defende uma expansão de fato da aliança —o que precisaria do apoio dos demais membros— ou se ele quer que Rússia, Austrália, Índia, Coreia do Sul e, agora, segundo Bolsonaro, Brasil participem apenas como convidados da reunião de 2020, uma prerrogativa do anfitrião.

Se a meta de Trump for a ampliação permanente do G7, há fortes resistências entre os membros. O Canadá, por exemplo, já manifestou publicamente que é contrário à reinserção da Rússia, excluída após ter anexado a Crimeia da Ucrânia.

O governo americano revelou ainda que Trump gostaria de discutir durante a cúpula a situação da China, hoje a maior antagonista dos EUA na arena global.

Devido ao alinhamento de Bolsonaro a Trump, a ausência do Brasil nas recentes declarações de Trump foram interpretadas como uma derrota do governo e desencadearam críticas contra a estratégia pró-EUA conduzida pelo ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Nações convidadas pelo país anfitrião do G7 normalmente participam de parte dos debates, mas não de todo o programa dos encontros.

Para Bolsonaro, seria a oportunidade de estar presente, como observador, num dos principais fóruns de decisão mundial —​num ambiente onde também estariam líderes que já foram criticados pelo brasileiro, como Emmanuel Macron (França) e Angela Merkel (Alemanha).

A reunião do ano passado ocorreu na França, e Bolsonaro, embora ausente, fez parte dos debates.

À época, o Brasil estava sob forte pressão internacional por conta da crise de queimadas na Amazônia, e Macron chegou a sugerir um “status internacional” para a floresta, o que desatou a ira de Bolsonaro e da ala militar do governo.

O governo brasileiro afirma que, naquela reunião, Trump foi o responsável por impedir que esse tipo de debate avançasse, reafirmando a soberania do Brasil na região.

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