O resfriado comum costuma começar de forma discreta: uma leve coceira no fundo da garganta, seguida por espirros, tosse, coriza e congestão nasal. Em alguns casos há febre leve, e os sintomas podem se estender por vários dias. As infecções virais das vias respiratórias superiores afetam praticamente todas as pessoas e costumam ocorrer, em média, três vezes por ano, com duração aproximada de nove dias.
Como se trata de uma infecção viral, antibióticos não são eficazes contra o resfriado. Além disso, muitos medicamentos vendidos sem prescrição médica oferecem apenas alívio limitado dos sintomas. Diante disso, pesquisadores têm voltado a atenção para uma prática simples e antiga: a irrigação nasal com solução salina.

Estudos recentes indicam que a lavagem nasal com água salgada pode reduzir a duração dos sintomas, diminuir a transmissão do vírus para outras pessoas e até reduzir a necessidade de antibióticos. Em alguns casos, a prática também está associada a menor risco de hospitalização. Outro ponto positivo é o baixo custo e a facilidade de aplicação em casa.
A técnica consiste em lavar a cavidade nasal com uma solução de água e sal. O procedimento pode ser feito com dispositivos específicos, como frascos irrigadores ou o chamado neti pot, recipiente semelhante a uma pequena chaleira. A prática tem origem na medicina ayurvédica da Índia, tradição milenar com mais de cinco mil anos.
O método ganhou popularidade em diferentes países ao longo do tempo. Registros mostram que técnicas semelhantes já eram usadas na Grécia e na Roma antigas, e o tema chegou a ser discutido em publicações médicas como a revista The Lancet no início do século XX.
Entre os benefícios da solução salina está a limpeza das vias nasais. A irrigação ajuda a remover muco acumulado, crostas, partículas de poeira, alérgenos e até vírus presentes na mucosa nasal. Além disso, a solução salgada possui acidez ligeiramente maior que a da água comum, criando um ambiente menos favorável para a multiplicação viral.
Outro efeito importante envolve os cílios microscópicos presentes no interior do nariz. Essas pequenas estruturas funcionam como uma espécie de sistema de transporte natural, empurrando partículas estranhas para fora do organismo. A lavagem nasal ajuda a manter esse mecanismo funcionando de forma eficiente.
Um estudo com mais de 11 mil participantes, publicado na revista The Lancet em 2024, apontou que iniciar a irrigação nasal logo nos primeiros sintomas e repetir o procedimento até seis vezes ao dia pode reduzir a duração da doença em cerca de dois dias. Pesquisas menores sugerem que a melhora pode chegar a quatro dias em alguns casos.
A prática também pode ajudar a reduzir a disseminação de vírus. Em um estudo com pacientes hospitalizados com Covid-19, a irrigação nasal realizada a cada quatro horas durante 16 horas levou a uma redução de quase 9% na carga viral, enquanto no grupo que não realizou o procedimento os níveis continuaram a aumentar.
Os benefícios da lavagem nasal não se limitam às infecções virais. Em pessoas com rinite alérgica, análises de estudos clínicos indicam que o uso regular da solução salina pode reduzir em até 62% a necessidade de medicamentos para alergia.
Outro impacto importante está na redução do uso inadequado de antibióticos. Esses medicamentos não encurtam a duração nem diminuem a gravidade das infecções virais do trato respiratório. Mesmo assim, milhões de prescrições são feitas todos os anos para tratar condições nas quais eles não têm efeito.