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Declaração

Natália Bonavides classifica operação no RJ como parte do “genocídio da juventude negra e pobre”

Deputada potiguar critica ação policial que deixou mais de 120 mortos e disse que o governo Cláudio Castro é cúmplice
Redação
30/10/2025 | 15:26

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) criticou a megaoperação policial deflagrada no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos, classificando o episódio como um reflexo da violência sistemática contra a população negra e periférica do país. A declaração ocorreu durante um discurso da deputada em manifestação contra a reforma administrativa realizada em Brasília.

A Operação Contenção, realizada na última terça-feira 28 pelas polícias Civil e Militar do estado, é considerada a mais letal da história das forças de segurança brasileiras, superando o massacre do Carandiru, em 1992.

Natália Bonavides (57)
Em publicação nas redes sociais, Natália reforçou a crítica e exigiu responsabilização dos envolvidos. Foto: José Aldenir / Agora RN

“Antes de mais nada, eu queria aqui deixar a nossa estrita solidariedade ao povo do Rio de Janeiro por uma operação desastrosa que jamais teria acontecido a céu aberto num bairro de rico. Nós temos que ter muita atenção a esse tema, porque é uma extensão e uma ampliação do verdadeiro genocídio da juventude pobre negra que acontece no nosso país”, afirmou a parlamentar.

“Essa chacina no Rio de Janeiro jamais teria acontecido a céu aberto num bairro de rico! Minha estrita solidariedade às famílias das vítimas. É inaceitável a política criminosa do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, de morte do povo preto e periférico. Que seja investigado e responsabilizado!”, escreveu.

Em outra publicação nas redes sociais, Natália reforçou a crítica e exigiu responsabilização dos envolvidos. “O governo Cláudio Castro é cúmplice, não inoperante. Um dia antes da maior chacina da história do Rio, o TJ-RJ com apoio do governo estadual liberou as atividades da refinaria investigada por ligação com o PCC. O STJ já suspendeu a decisão”.

A operação, que visava atingir o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, deixou 121 mortos — entre eles quatro policiais — e mais de cem presos. O governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como um “grande golpe na criminalidade” e afirmou que “as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos”.

A dimensão da letalidade provocou reações em todo o país. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o governador do Rio preste informações sobre a operação, que, segundo o magistrado, precisa seguir parâmetros estabelecidos pela ADPF das Favelas, decisão que busca reduzir a violência policial nas comunidades.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “estarrecido” com o número de mortos e cobrou explicações sobre a ausência de comunicação oficial entre o governo estadual e as autoridades federais.