Sete anos fechado e mais de 120 de história. O Teatro Alberto Maranhão (TAM), em Natal, voltou à cena cultural em dezembro de 2021 e, desde então, já contabiliza 937 espetáculos realizados até este mês. Símbolo da memória e do futuro da cultura potiguar, o espaço passou por um amplo processo de restauração que devolveu vitalidade à Ribeira e o reposicionou como referência nacional.
“Pela primeira vez, o TAM passou por um processo de restauro, resgatando suas características históricas”, destacou o diretor Ronaldo Costa. Segundo ele, a intervenção, que teve R$ 13 milhões como investimento, foi inédita em rigor técnico: “Também pela primeira vez, o TAM passou por um processo de fiscalização do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], porque ele é tombado em nível federal. A restauração foi ampla: elétrica, hidráulica, acessibilidade, poltronas, camarins, portas, caixa cênica, equipamentos… tudo foi contemplado”.

O impacto para o público superou as expectativas, fazendo o teatro reafirmar o seu lugar e democratizar o acesso à cultura. “Muitas pessoas tinham como incógnita como iria se comportar a reabertura do TAM, sobretudo porque a Ribeira tem problemas de segurança e iluminação. Mas tivemos a grata satisfação de que a reabertura trouxe novamente o público”, afirmou ele. A plateia de 600 lugares hoje mantém média de 330 pessoas por espetáculo. “O TAM nunca está vazio. Mesmo com todas as dificuldades, continua sendo um local onde as pessoas costumam frequentar”.
Mais do que números, Ronaldo celebra o papel simbólico do espaço para o bairro: “O que mais me deixa feliz é essa vida que o TAM traz para a Ribeira. Ele é uma ilha que se sustenta de maneira magnânima, iluminada, e torna aquele ambiente vivo”.

A programação prova a vitalidade do palco potiguar. De 2022 a 2025, nomes nacionais e internacionais se revezaram entre artistas locais e estreias de peso. “Sem sombra de dúvidas, o espetáculo que mais me chamou atenção recentemente foi o musical da Rita Lee com a Mel Lisboa. Todas as sessões foram lotadas e é considerado um dos musicais mais expoentes do Brasil na atualidade”.
O diretor reforça que, apesar do status, o TAM segue acessível aos artistas potiguares: “Vale salientar que a nossa pauta mais barata é justamente a destinada ao artista da terra”. Para ele, o teatro é também espaço de formação: “Muitos jovens, de várias escolas, realizam aqui seus espetáculos anuais de balé e teatro. Eles acabam criando afinidade com o patrimônio cultural do nosso estado”.
Além do impacto artístico, o restauro do TAM desencadeou reflexos no entorno. “Com esse processo de restauração de um dos ícones da nossa cultura, outros prédios da região também passaram por recuperação. Os casarões receberam nova pintura, a antiga Faculdade de Direito está em restauração”.
Entre os planos para o futuro próximo estão a readequação de acessibilidade, a licitação para manutenção de ar-condicionado e plataformas e a implantação de um espaço gastronômico, atualmente em fase de credenciamento. Também está em estudo a reabertura do Centro Experimental, escola de teatro do TAM. “A EDTAM, o nome já diz, a Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, vinculada à nossa coordenadoria, também é um ícone. Os bailarinos expoentes estão ganhando muitas premiações em diversos festivais pelo País afora”.
Além disso, o teatro passa por um processo de modernização administrativa com o objetivo de oferecer a alternativa de venda de ingressos online. O perfil do TAM no Instagram (@teatroalbertomaranhao.oficial) é atualizado com a programação e novidades. “Estamos no processo de contratação de uma ticketeria oficial para os equipamentos culturais da Fundação José Augusto”, frisou.
Apesar de encerrar a gestão em 2026, Ronaldo Costa deixa claro o desejo que o move: “Meu maior sonho é ver o Teatro Alberto Maranhão vivo e atuante na cultura potiguar durante muitos anos, que os gestores que passem por ele cuidem como ele merece, dando possibilidades para novas gerações, velhas gerações, nacionais e internacionais frequentarem o nosso lindo teatro, que tem 121 anos”.
Histórico
No Rio Grande do Norte, o TAM sempre foi referência cultural, sendo a casa de teatro mais antiga do estado. O prédio começou a ser construído em 1898, quando o bairro da Ribeira abrigava o desenvolvimento da capital potiguar. Foi inaugurado em 1904 e, em 1957, seu nome passou a homenagear o ex-governador Alberto Maranhão.
Sotaque Potiguar
Esta é a 1ª reportagem da série “Sotaque Potiguar”. Nas próximas edições, a série vai retratar a situação de equipamentos de cultura e destacar expressões artísticas do povo potiguar.