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Política

Oposição articula mudança na lei para diminuir inelegibilidade para dois anos

Atualmente, condenados por abuso de poder ficam oito anos fora de eleições, caso de Jair Bolsonaro (PL)
Redação
05/02/2025 | 07:03

Ganha força na Câmara dos Deputados um projeto de lei complementar que pretende reduzir o prazo, de oito para dois anos, para políticos inelegíveis voltarem a concorrer às eleições. O texto é de autoria do deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) e prevê uma nova alteração na Lei de Inelegibilidade, que já havia sido alterada pela Lei da Ficha Limpa.

A mudança seria aplicada nos casos em que políticos são declarados inelegíveis por abusos praticados no período eleitoral, nas condições previstas no artigo 22 da Lei Complementar 64/1990 (Lei das Inelegibilidades).

girão gonçalves bolsonaro
Proposta que pode beneficiar Bolsonaro é assinada por Girão e Gonçalves - Foto: BRUNO SPADA / VALTER CAMPANATO

O projeto tem a assinatura de 73 deputados, entre eles dois do Rio Grande do Norte: General Girão e Sargento Gonçalves. A exemplo dos dois, a maioria dos parlamentares que assinam é do PL, mas há também deputados do MDB, Patriota, PP, PSD e Republicanos, partido do novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A medida precisa de 257 votos para ser aprovada na Câmara. Depois, teria de passar pelo Senado e ser sancionada pela Presidência da República.

Se aprovada, a lei pode beneficiar Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder nas eleições de 2022. O ex-presidente foi acusado de disseminar ataques contra o sistema eleitoral em uma reunião com embaixadores e também por uso político de atos do 7 de Setembro. Com a aprovação da lei, Bolsonaro poderia voltar a disputar eleições em 2026.

A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desde agosto de 2023. O relator é Filipe Barros (PL-PR). O autor, Bibo Nunes, afirma que “não é justo torná-lo inelegível por tanto tempo porque deu opinião a embaixadores e participou de desfile cívico-militar”.

O deputado rechaça o entendimento de que o projeto é inconstitucional. Ele diz que o prazo de inelegibilidade já foi modificado. Em 1990, a lei previa que os políticos condenados deveriam ficar três anos sem concorrer, o período foi estendido para oito anos, em 2010, com a Lei da Ficha Limpa.

Questionado sobre o assunto nesta terça-feira, Hugo Motta afirmou em entrevista à CNN que oito anos de inelegibilidade “é um tempo extenso”.

“Se houver interesse de algum partido, de algum parlamentar em discutir isso, e aí entra o cenário de 26, que começou a falar para tratar a inelegibilidade de Bolsonaro, aí o Congresso vai discutir. Esse não foi um tema, um assunto, que eu dialoguei com os líderes para sentir o ambiente sobre a necessidade ou não de uma mudança na Lei da Ficha Limpa”, disse o presidente da Câmara.

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