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Coluna

Eleições 2024: radicalização ou não?; leia coluna de Ney Lopes

Leia coluna de Ney Lopes
Ney Lopes
03/01/2024 | 07:33

Na largada do novo ano, renovo as intenções de acompanhar os fatos da atualidade, informar e opinar. Faço isso sem vínculos ou ganhos de qualquer espécie (blogdoneylopes). Não me considero analista político ou econômico. Apenas um mero escriba, com certa experiência de militância na política, jornalismo e advocacia, que corre o risco de expor o que pensa, no meio de tantos “doutos” (ou pensam que são). Os “palpites” que dou remanescem ao ano de 1960, quando Waldemar Araújo, na tradicional “Tribuna do Norte”, confiou-me espaço diário, denominado “Um fato em foco”, Á época tinha 15 anos.

Hoje, abordo tema preocupante: as eleições municipais deste ano. Quando se fala em democracia normalmente se olha para Brasília. Equívoco. A democracia começou em Atenas, Grécia, com a ideia de que o cidadão tinha o poder de influir no governo de sua cidade. Modernamente, o prefeito administra os serviços públicos locais e a Câmara Municipal estabelece as normas sobre as quais deverá se pautar a administração da cidade.

Eleições 2024: radicalização ou não?; leia coluna de Ney Lopes - Foto: Shutterstock/Reprodução
Eleições 2024: radicalização ou não?; leia coluna de Ney Lopes - Foto: Shutterstock/Reprodução

Um país entre as 10 maiores economias do mundo, com indicadores de desenvolvimento social e econômico de Terceiro Mundo, necessita construir sociedade democrática, a partir de suas cidades. Por esse princípio, a eleição municipal deveria ser fórum de debate de temas do interesse público local. Mas, infelizmente, não são.

Independente de acordos locais entre partidos antagônicos, o processo eleitoral de 2024 caminha para a radicalização, salvo se algum ensandecido pensar o contrário. Não se pode negar que se consolidou no país polarização entre direita e esquerda, que ultrapassa a questão eleitoral. Como denominou o jornal “Correio Braziliense”, não existe mais o Brasil. “Existe o “Lulanaro”, dois universos completamente diferentes, entre adeptos do presidente Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro, ambos já se colocando como “cabos eleitorais”.

As maiores capitais tendem a refletir a tendência da polarização do petismo x bolsonarismo (nacionalização) A principal justificativa foram as aprovações de políticas pelo Congresso e a liberação de emendas para as bases eleitorais dos parlamentares, tudo dependente da União.

O livro “Biografia do Abismo”, do jornalista Thomas Traumann e do cientista social Felipe Nunes, da empresa de pesquisas Quaest, conclui que a polarização deve se manter nas eleições de 2024, embora elas sejam municipais. Os autores mencionam grau de radicalização crescente e chocante. Por exemplo: o percentual de pesquisados que mudaria o filho de escola em função de posições políticas passou de 7% para 25% entre dezembro de 2022 e junho de 2023. Dos 17% de pesquisados que disseram ter rompido relações pessoais em função da campanha, 75% afirmou que não se arrependiam.

Há algumas pequenas exceções à radicalização, em cidades com a prevalência de demandas específicas e personalidades locais. A esperança é que muitas cidades do RN sejam exceções. Acho muito difícil que isto aconteça, embora deseje.