BUSCAR
BUSCAR
Política

Valdemar diz que objetivo do PL é reeleger Bolsonaro e não crê em inelegibilidade do ‘capitão’

Dirigente do PL, Valdermar Costa Neto, se expressou após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciar o julgamento que pode cassar os direitos políticos do presidente Bolsonaro
Natália Santos - Estadão conteúdo
23/06/2023 | 11:49

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que o objetivo do partido é “reeleger” Jair Bolsonaro (PL) e que não acredita que o ex-presidente “fique inelegível pelo que ele falou”. As declarações do dirigente foram feitas após a o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciar o julgamento que pode cassar os direitos políticos do ex-presidente por oito anos – a sessão será retomada na terça-feira, 27.

“Não vamos admitir injustiças contra o nosso capitão. Não acredito que um presidente da República fique inelegível pelo que ele falou. Isso não existe em nenhum lugar do mundo. Bolsonaro vai seguir firme e tenho convicção que será o nosso candidato”, disse Valdemar nesta quinta-feira, 22. O próprio ex-presidente, no entanto, ao avaliar a possibilidade de condenação pela Corte disse que “os indicativos não são bons” e que é “quase unanimidade” que ele vai perder a ação.

Valdemar Costa Neto e Bolsonaro / Foto: reprodução
Valdemar Costa Neto e Bolsonaro / Foto: reprodução

No vídeo, Valdemar afirmou que, para o partido ganhar a eleição presidencial de 2026, é preciso fortalecer a legenda. Segundo ele, o objetivo da bancada é “reeleger” Bolsonaro.

“Nós elegemos 99 deputados federais e, por mais que cada um seja único na sua história, todos nós temos um objetivo em comum, que é reeleger Bolsonaro e fazer valer os valores da direita, pois são esses os objetivos que nos unem. E para que a gente possa ganhar as eleições em 2026, nós precisamos internamente fortalecer o partido”, disse.

A ação a qual Bolsonaro é alvo foi movida pelo PDT e tem como base uma reunião convocada pelo então presidente com embaixadores, em julho do ano passado. Na ocasião, o presidente, sem apresentar provas, colocou em dúvida a lisura sistema eleitoral e atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE.

O ex-presidente é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, e, se for condenado, ficará impedido de participar das eleições de 2024, 2026 e 2028, podendo voltar em 2030 – a pena acabaria quatro dias antes da disputa.

Mourão diz que multa seria punição máxima do TSE a Bolsonaro

O senador e ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos-DF) afirmou que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deveria aplicar no máximo uma multa a Jair Bolsonaro (PL). A ação do PDT de Ciro Gomes pede que o ex-presidente seja declarado inelegível.

“Eu espero que o TSE tenha bom senso e compreenda que as acusações que pesam sobre o presidente Bolsonaro não merecem que ele seja considerado inelegível. Quando muito uma multa”, disse o ex-vice-presidente à reportagem nesta quinta (22).

Questionado sobre quem pode suceder Bolsonaro politicamente, caso ele seja impedido de disputar as próximas eleições, Mourão afirmou que “tem bastante nome por aí”.

Ele citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é seu colega de partido, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo. “Tem gente aí. Bastante. Isso é uma coisa para pensar a posteriori”, disse.

Entorno de Bolsonaro teme nova depressão dele após julgamento no TSE

Ex-presidente Jair Bolsonaro pode se toRio Grande do Nortear inelegível em julgamento no TSE – Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Ex-presidente Jair Bolsonaro pode se tornar inelegível em julgamento no TSE – Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Auxiliares de Jair Bolsonaro (PL) temem que o ex-presidente volte a cair em depressão após o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Quando perdeu as eleições em outubro do ano passado, Bolsonaro se isolou, cercou-se de poucos aliados próximos, viajou para os Estados Unidos para não passar a faixa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e só retomou a atividade política cinco meses depois, quando voltou ao Brasil.

O receio se deve ao fato de que o PL, partido ao qual Bolsonaro se filiou, conta com a atuação do ex-presidente para organizar as eleições municipais.

Como a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, mostrou, o PL aproveitará o aniversário de 38 anos de fundação da legenda, no próximo domingo 25, para dar início a uma campanha de filiação.
O partido quer também usar como gancho a provável condenação de Jair Bolsonaro pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que deve torná-lo inelegível, para estimular os apoiadores do ex-presidente a entrar na legenda.

Para evitar que o ex-mandatário se deprima, o plano é marcar uma viagem por semana e intensificar as articulações municipais. Com isso, aliados pretendem permitir que Bolsonaro tenha contato com os apoiadores e se sinta revigorado com a energia das agendas nas ruas.