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Economia

Bares e restaurantes esbarram na falta de profissionais qualificados

Mais da metade dos empresários do segmento querem contratar, mas 70% dos comerciantes encontram dificuldades para contratar garçons
Douglas Lemos
22/10/2022 | 00:04

Com as festas de fim de ano, o comércio tende a aumentar a movimentação. No entanto, em 2022, o segmento vive um cenário de exceção, com a realização da Copa do Mundo nos meses de novembro e dezembro – o evento é tradicionalmente realizado nos meses de junho e julho. Segundo a Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN), a expectativa é de gerar 6,5 mil novos postos de trabalho, 17% a mais do que em 2021. Mas o setor de bares e restaurantes vive uma peculiaridade: mais da metade querem contratar, mas enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra especializada.

De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN), 51% dos empresários do segmento pretendem fazer contratações até o fim do ano; 15% já revelaram ter aumentado o quadro de funcionários no mês de setembro. Pelo menos 45% dos comerciantes no RN não vão alterar o número de colaboradores enquanto 4% afirmam que vão demitir.

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Auxiliar de cozinha e cozinheiros estão na lista de profissionais raros no RN - freepik

Para os que pretendem contratar, 59% justificam as contratações pelo aumento de demanda previsto, em função dos eventos previstos para o fim do ano. Pelo menos 20,5% das empresas planejam aumentar o quadro de funcionários em virtude da ampliação do negócio com novos produtos e ou serviços (20,5%) ou para abrir filiais (2,5%). Para Fernando Augusto, vice-presidente da entidade, o cenário é de otimismo. “A gente vai aumentar de fato a carga de funcionários. Vamos tentar fazer isso, puxar mais gente para o mercado”, afirmou.

Além disso, 33,5% procuram profissionais para recompor o quadro e readequar a empresa à nova configuração de mercado pós-pandemia. “Nacionalmente estamos no mesmo ritmo anterior à pandemia. [No Rio Grande do Norte] Está voltando. Ainda não está do jeito que a gente quer, mas está subindo”, projetou.
No entanto, o segmento diz viver uma particularidade: a dificuldade na contratação de profissionais qualificados. Ainda conforme divulgado pela associação, pelo menos 70% dos comerciantes no Rio Grande do Norte têm dificuldades para contratar garçons. Segundo a entidade, outros profissionais como auxiliar de cozinha (56,4%), cozinheiro (46,2%) e social mídia (33,7%), além de atendente e chef também estão escassos no mercado. “Está difícil [contratar] gente qualificada. E isso não é só aqui, é no Brasil também. As pessoas qualificadas ou estão empregadas ou abrindo seus negócios”, observou Fernando.

Ao AGORA RN, o vice-presidente da Abrasel no RN afirmou que a saída, entretanto, é contratar funcionários com pouca experiência no setor e investir em qualificação e valorização. “A ideia é capacitar pessoas novas que estão entrando no mercado de trabalho. O salário não está sendo o suficiente para que o funcionário se esforce. A gente tem que dar bonificação, aplicar meta. Isso serve para aqueles que já estão empregados ou já têm uma consciência de ter que manter emprego”, disse.

Em relação ao cenário político, o setor vive uma incerteza no prosseguimento do setor, principalmente em 2023, com base no resultado do pleito presidencial, entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas afirma que o cenário para o fim deste ano é positivo. “Depois do dia 30, vamos ter que pensar em uma nova forma de gerir. Para a Copa do Mundo, o segmento está todo otimista e se preparando muito com telão, funcionários e ofertas. A gente está otimista”, finalizou.