A candidata ao governo do Estado Clorisa Linhares (PMB) afirmou defender a privatização da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte), ao falar sobre a recomendação da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Norte), que iniciou a entrega de documento com propostas aos postulantes ao governo estadual, no qual defende a privatização da companhia. Clorisa citou ainda a criação de um fundo soberano a partir da venda da Caern.
“Toda privatização tem que ser analisada. Não sou contra a privatização, mas é importante avaliar a importância de cada segmento que será privatizado. Por exemplo, no que diz respeito à parte de combustíveis e energias, acho que tem que ter um certo cuidado. A primeira coisa a avaliar é: a Caern está dando lucro ou prejuízo? O serviço está sendo eficiente ou não?”, questionou.

Segundo Clorisa, a Caern poderia e pode ser algo a ser criado como fundo soberano, mas que é preciso fazer um levantamento para identificar até que ponto a proposta de privatização da companhia é vantajosa ou não para o Estado. “Israel e Catar são dois países que saíram da miséria em pouco tempo. O que eles fizeram? Pegaram o que tinham de melhor, conseguiram juntar um fundo soberano para trabalhar investimento e desenvolver o país”, disse, em entrevista à Rádio 96 FM, nesta terça-feira 9.
Conforme documento da Fecomércio sobre privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern), esta precisa estar no radar do futuro governo. A empresa chega a perder até 65% da água tratada que distribui, operando com uma rede de tubos depreciada e precisando ser mais efetiva na fiscalização das ligações clandestinas.
“Outro fato que chama a atenção no contexto da gestão da companhia é a necessidade de ser mais ágil em suas ações. Episódios recentes, ocorridos no início de julho, que envolveram o transbordamento de lagoas de estabilização e resultaram em prejuízos para a população, como o caso da lagoa da Rota do Sol, em Natal, demandando quase cinco dias para ser resolvido”, diz o documento.
Entre as propostas, estão a privatização da Caern, redução de ICMS sobre energia elétrica das empresas do setor do Turismo, atenção à relicitação do Aeroporto Aluízio Alves e a regulamentação da Lei Geral das MPEs.
Candidata diz: ‘quer transformar o RN em um dos estados mais desenvolvidos do país’
Clorisa Linhares afirmou, em entrevista recente ao AGORA RN, que, sendo eleita a governadora do Estado nas eleições de outubro, pretende transformar o Rio Grande do Norte em um dos Estados mais desenvolvidos do país. Para isso, ela destacou os recursos naturais existentes e seus potenciais de geração de bens e serviços.
“Pode soar ambicioso, mas temos capacidade para isso. O Estado é rico em petróleo, gás e minerais, portanto, tem potencial de desenvolvimento junto às energias renováveis (eólica e solar), potencial hídrico, solo fértil e localização geográfica economicamente estratégica, possui salinas que, por si só, favorecem a criação de um polo cloro químico, possibilitando a transferência do eixo econômico para o Nordeste”, disse.
Para ela, há inúmeros caminhos para isso, basta garra e coragem. “Tem o ICMS da energia eólica que é arrecadado, mas não fica no nosso Estado e ninguém fala nada sobre isso. Esses são alguns exemplos das nossas riquezas que poderiam ser aproveitadas para a criação de um fundo soberano, que nos permitisse investir em tecnologia e em melhores condições de vida para os potiguares”, afirmou Clorisa.
A candidata afirmou ainda que o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte tem sido colocado em segundo plano há anos pelos sucessivos gestores estaduais e que vários estados e países conseguiram fomentar sua economia e resgatar a qualidade de vida do seu povo utilizando os inúmeros recursos tecnológicos disponíveis.
“Nosso Estado, além de não usar as ferramentas novas, desperdiça suas riquezas e potenciais, como os recursos naturais e a localização geográfica mais próxima à Europa e poderia ser aproveitada estrategicamente no turismo e nas relações comerciais. Também não se dá a devida atenção ao setor privado, principalmente, aos micros e pequenos empreendedores. Não há incentivos significativos a essas classes que promovem o maior número de empregos, sendo a responsável por boa parte da arrecadação de tributos do Estado”, pontuou.