A deputada federal Natália Bonavides, em entrevista à rádio 96 FM, disse ser contrária a uma aliança entre o MDB e o PT no RN. Seu argumento foi que o MDB representa oligarquia, que seria responsável pelo que tem de ruim no Estado.
Natália é nova na idade e na atividade política. Mas essa dupla juventude não lhe ampara para ser desinformada ou usar argumentos frágeis para fundamentar o que realmente lhe interessa.

Para não ir muito longe, busquemos a eleição de 2014, onde Robinson Faria foi eleito com apoio formal do PT, com direito a presença de Fátima na chapa e de Lula no horário eleitoral. Fátima foi responsável pelo que Robinson fez no governo?
Fátima já apoiou e foi apoiada por integrantes de oligarquias no Estado. Aliás, esse discurso de oligarquias é fora de época, atrasado e sem efeito prático.
Afinal, desde a redemocratização, há eleições livres e democráticas, o que impede mandato biônico ou nomeação. Tem que ser eleito pelo voto. Então, se há oligarquia viva, é pela força do voto popular.
Portanto, o mandato de Natália tem o mesmo valor originário do mandato de João Maia, de Rafael Motta, de Walter Alves, de Beto Rosado…
No caso concreto da aliança do PT com o MDB, Natália esquece que foi Lula, o líder maior do PT que convidou Garibaldi Filho e Walter Alves para um jantar em que foi tratada a aliança, sob a concordância da governadora Maria de Fátima Bezerra, responsável indireta pela vitória de Natália como deputada federal.
Portanto, quando Natália expressa sua discordância pública à aliança, ela está também publicamente desautorizando Lula e Fátima a buscar aliança e fortalecer o palanque para pavimentar a vitória de ambos em 2022.
Naturalmente que Natália não tem força política ou eleitoral para isso. É só para aparecer mesmo, com discurso de puritanismo político que não cabe na história do PT.
Bom Natália perguntar a Lula porque ele foi buscar apoio do sinônimo de corrupção no Brasil, Paulo Maluf, para fazer Haddad prefeito de São Paulo; bom saber também porque Lula já fez aliança com Collor, Renan Calheiros, José Sarney, Jáder Barbalho… e outros titulares desse mesmo time. Corruptos ou não.
Lula fez as alianças inimagináveis que o PT não queria; mas só foi eleito por isso. Por ser maior que o PT. Ter mais visão que o partido.
Há quem diga que Natália gostaria de ver na vice de Fátima, a senador Zenaide Maia, pois assim abriria vaga para Junior Souto, o suplente da mulher de Jaime que o PT inseriu na chapa senatorial. Custo a acreditar.
O fato é que o MDB do RN foi convidado por Lula para ajudar Fátima. Não há nada que desabone essa aliança. A cúpula do MDB não responde a processos por corrupção ou tem ficha suja.
Trabalhar contra aliança do PT com o MDB ou outros partidos que possam fortalecer o palanque de Lula e de Fátima, é trabalhar pela derrota ou por interesses menores inconfessáveis.
Fátima não pode calçar o mesmo salto de alguns que acham que a vitória está garantida. Eleição não se vence ou perde antecipadamente.
Hoje, Fátima está isolada com o PT, cuja força no interior é insignificante; e com o PC do B, que consegue ser ainda menor que o PT em expressão eleitoral. Paquera com a derrota.
Ezequiel Ferreira, Garibaldi Filho, Carlos Eduardo e mais algumas lideranças de expressão estadual assistem a passividade do PT e a arrogância de alguns integrantes em sequer sinalizar para alianças.
Fátima sempre foi maior que o partido, a quem sempre foi fiel indiscutivelmente. Ser refém de guetos ou interesses individualizados, poderá ser fatal para a governadora.
Afinal, Fátima não está tão bem como querem fazer parecer alguns. Nas pesquisas, ela perde para ninguém, não sabe e nenhum. Seu favoritismo é virtual.
Rejeitar aliança, é jogar contra e trabalhar pela derrota. De forma deliberada.
Cabe à Fátima fazer a leitura correta do momento. Essa missão é indelegável.