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Controle da pandemia

Cientista recomenda volta de restrições: “Não há necessidade de a família toda ir ao supermercado”

Membro do comitê científico do Estado afirmou que houve um “relaxamento” nas medidas preventivas nesses estabelecimentos, e que é necessário endurecer regras
Redação
05/03/2021 | 08:25

Além de recomendar a ampliação do toque de recolher, o comitê científico que assessora o Governo do Estado sugeriu à governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), que volte a restringir a entrada de clientes em supermercados, como medida de prevenção à Covid-19.

Em entrevista ao programa “Bom Dia RN” nesta sexta-feira (5), o professor Ricardo Valentim, coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais/UFRN) e membro do comitê científico, afirmou que houve um “relaxamento” nas medidas preventivas nesse estabelecimento, e que é necessário endurecer as regras.

Cientista recomenda volta de restrições: “não há necessidade de a família toda ir ao supermercado”
Cientista Ricardo Valentim, professor da UFRN e membro do Comitê Científico do Estado - Foto: Elisa Elsie / Governo do RN

“Foi colocado pelo comitê que não há necessidade de uma família toda ir para o supermercado. Se vai, vai fazer a compra, que é necessária, retorna para casa, mas uma pessoa por família. Não há necessidade (de entrar mais de uma pessoa por família). Isso vai contra à medida de não ter aglomerações em ambientes fechados”, enfatizou Valentim.

Diante do aumento nas hospitalizações por Covid-19, o comitê científico recomendou também a necessidade de ampliar o tempo do toque de recolher. De acordo com o governo, em atendimento às recomendações dos cientistas, novas ações serão anunciadas nesta sexta-feira (5). Uma entrevista coletiva foi marcada para as 11h da manhã e deverá ter a presença da própria governadora.

A expectativa é que Fátima Bezerra siga o conselho do comitê científico e anuncie um novo decreto para ampliar o toque de recolher, que hoje vale das 22h às 5h da manhã do dia seguinte. A adoção de um confinamento mais rígido (lockdown) está descartada.

Ricardo Valentim afirmou que a ampliação do toque de recolher é uma medida drástica, mas necessária diante do quadro de piora da pandemia.

“A situação é muito crítica. Se não houver um alinhamento, podemos ter um efeito muito grave. Vamos contabilizar óbitos além do que a gente está vendo. Esse novo decreto, embasado nas recomendações do comitê científico, é para evitar o que aconteceu em Manaus”, enfatizou Valentim.

O pesquisador disse que, se novas medidas restritivas não forem adotadas, o Estado poderá alcançar ainda em março a marca de 4 mil óbitos provocados por Covid-19. Além disso, segundo ele, o RN pode passar a registrar 30 mortes por dia. Nesta quinta-feira (4), o Estado chegou a 3.675 mortes causadas pelo coronavírus, após 25 novos óbitos confirmados.

Em nome do comitê científico, Ricardo Valentim também cobrou um alinhamento de postura entre a governadora Fátima Bezerra e o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), que, em meio à disputa política, têm adotado ações divergentes durante a pandemia.

“Para conter essa epidemia no Estado, é necessário o alinhamento dos gestores, municipais e estadual, principalmente a gestão de Natal, que é o principal município, com a maior densidade populacional. Virão medidas muito mais rigorosas, mas isso não vai adiantar se Estado e municípios tiverem divergência, confundindo a população. A presença do município de Natal junto com Governo do Estado nesse momento é muito importante”, emendou.

Desde o dia 18 de fevereiro, o Rio Grande do Norte está com pelo menos 80% dos leitos críticos para tratamento de Covid-19 ocupados. Nesta semana, o índice superou os 90%. No início da manhã desta sexta-feira, a taxa estava em 91,15%. Havia apenas 19 leitos disponíveis para 68 pacientes na fila.

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