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Ricardo Pessoa afirma ter repassado R$ 20,5 mi ao PT nos governos de Lula até Dilma

Propinas teriam sido repassadas no intervalo de dez anos, de 2004 até 2014, no governo de Dilma Rousseff. Parte dos repasses teria sido doação oficial ao partido
12/09/2015 | 11:10

O empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, revelou em depoimentos prestados em Brasília como delator do esquema de pilhagem da Petrobras que repassou R$ 20,5 milhões em propinas ao PT no intervalo de dez anos —parte como doação oficial ao partido, parte em dinheiro vivo. Os pagamentos começaram em 2004, sob Lula. E foram até 2014, sob Dilma.

As revelações vieram à luz em notícia veiculada na noite desta sexta-feira, no Jornal Nacional. Num dos depoimentos, ocorrido em maio, Pessoa contou que João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT, chegava para as conversas municiado de informações estratégicas. Tinha conhecimento das obras da Petrobras e dos valores dos contratos obtidos pela UTC, sobre os quais cobrava propinas.

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Pessoa relatou também que Vaccari às vezes pedia dinheiro vivo, por fora. Mas não soube explicar os motivos. O delator retratou o ex-gestor das arcas petistas assim: “PT na testa, sindicalista, um soldado do partido que queria manter o PT no poder.”

Só a partir de 2008 a UTC passou a ser mordida também pelos funcionários da Petrobras, informou Pessoa. Ele pagava propinas a Renato Duque, então diretor de Serviços, e ao gerente desse mesmo setor, Pedro Barusco. Segundo Pessoa, Duque foi indicado para a diretoria da Petrobras pelo grão-petista José Dirceu.

Ouvida, a defesa de Dirceu reafirmou que ele não indicou Duque. O PT reiterou o lero-lero segundo o qual todas as doações que recebeu foram legalmente declaradas à Justiça Eleitoral. Os advogados de Vaccari acusaram o dono da UTC de mentir. Sustentaram que o ex-tesoureiro petista nunca pediu nem recebeu propinas. Só teria manuseado doações legais. Barusco reafirmou o teor dos depoimentos prestados como delator. E o advogado de Duque não foi localizado.