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Educação

Escolas públicas ainda enfrentam abismos digitais

Mesmo com expansão após a pandemia, parte das instituições públicas segue operando com conexão insuficiente para atividades pedagógicas
Por O Correio de Hoje
07/05/2026 | 14:33

O Brasil avançou na conectividade das escolas públicas nos últimos anos, mas ainda convive com fortes desigualdades regionais no acesso à internet considerada adequada para atividades pedagógicas. Dados divulgados pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) mostram que cerca de 72% das escolas urbanas possuem atualmente conexão compatível com critérios mínimos de qualidade, enquanto parte significativa das instituições das regiões Norte e Nordeste continua enfrentando limitações estruturais.

Segundo o levantamento, aproximadamente um terço das escolas públicas brasileiras ainda apresenta algum tipo de problema relacionado ao acesso à internet ou à qualidade da conexão utilizada no ambiente escolar. Em algumas áreas do Norte do país, os índices de conectividade adequada variam entre 30% e 58%, cenário inferior ao observado em estados do Sul e Sudeste.

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Levantamento aponta que 72% das escolas públicas possuem internet considerada adequada para atividades Foto: Layo Stambassi

Os dados integram estudos realizados pelo CGI.br e pela pesquisa TIC Educação, que acompanha a presença de tecnologias digitais nas escolas brasileiras. O relatório considera critérios como velocidade de conexão, estabilidade da rede e disponibilidade de acesso compatível com o uso pedagógico de plataformas digitais, conteúdos multimídia e atividades online.

A expansão da conectividade escolar ganhou força principalmente após a pandemia de Covid-19, período em que a ausência de internet adequada passou a afetar diretamente atividades pedagógicas, ensino remoto e comunicação entre escolas, alunos e professores.

Em 2021, o governo federal sancionou a Lei nº 14.172, que garantiu recursos para ampliar a conectividade nas escolas públicas de educação básica. A legislação autorizou o repasse de aproximadamente R$ 3,5 bilhões para ações de melhoria da infraestrutura digital das instituições de ensino.

Parte dos recursos foi destinada à aquisição de equipamentos, contratação de serviços de internet e instalação de infraestrutura tecnológica. Ainda assim, especialistas apontam que a execução do programa ocorreu de forma desigual entre os estados e municípios.

Os dados indicam que o problema não está restrito apenas à velocidade da internet, mas também envolve dificuldades estruturais relacionadas à rede elétrica, equipamentos insuficientes e limitações técnicas em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Segundo especialistas em educação e inclusão digital, a conectividade escolar passou a ser considerada elemento essencial para o funcionamento do ensino contemporâneo. A falta de acesso adequado à internet interfere diretamente no uso de plataformas educacionais, atividades digitais, pesquisas e processos de aprendizagem.

Apesar do avanço nacional registrado nos últimos anos, estados das regiões Norte e Nordeste seguem abaixo da média brasileira em diversos indicadores relacionados à infraestrutura tecnológica nas escolas públicas.

O levantamento também mostra que muitas instituições possuem acesso formal à internet, mas operam com baixa qualidade de conexão, instabilidade frequente ou velocidade insuficiente para atender simultaneamente alunos e professores.

Além da conectividade, pesquisadores alertam para a necessidade de formação continuada de professores e ampliação da infraestrutura tecnológica dentro das escolas. Para especialistas, a presença de internet rápida não garante, sozinha, inclusão digital efetiva sem equipamentos adequados e capacitação pedagógica.

A pesquisa destaca ainda que a desigualdade regional no acesso à internet escolar reflete diferenças históricas de investimento em infraestrutura básica no país. Municípios mais afastados e áreas rurais enfrentam desafios maiores relacionados à instalação de redes de fibra óptica e serviços de telecomunicação.

Mesmo com os obstáculos, os indicadores apontam crescimento gradual da conectividade escolar desde a pandemia. O avanço é visto por pesquisadores como importante para reduzir exclusão digital e ampliar oportunidades educacionais em diferentes regiões do País.