Uma falésia desmoronou na manhã desta quinta-feira 5, na Praia do Madeiro, em Tibau do Sul, no litoral Sul do Rio Grande do Norte. O deslizamento provocou o acúmulo de terra na base da encosta, próximo à faixa de areia. A Prefeitura confirmou a ocorrência e informou que não houve feridos. Este é o quarto episódio de maior proporção registrado e noticiado no município em 2026.
Em nota, a Prefeitura de Tibau do Sul informou que os deslizamentos fazem parte dos processos naturais de erosão das falésias, que podem apresentar desprendimento de materiais ao longo do tempo. O município orientou moradores, turistas e frequentadores das praias a manter distância da base e do topo dessas formações, devido ao risco de novos desmoronamentos.

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A ocorrência chamou atenção por ter acontecido durante o período seco, sem registro de chuva no momento do deslizamento. Segundo o professor Rodrigo Freitas, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a ausência de precipitações não significa que as encostas estejam estáveis.
“O deslizamento em falésias ativas ocorre tanto no período chuvoso quanto no período seco”, explicou o pesquisador. De acordo com ele, entre novembro e fevereiro, a ação do mar está entre os principais fatores associados à movimentação de materiais nas encostas.
“Os gatilhos, ou seja, o motivo que leva a esse deslizamento está muito relacionado à ação de ondas, especialmente no período de maré alta”, afirmou Freitas. O professor explicou que as falésias ativas são aquelas atingidas diretamente pelas ondas, principalmente na base, o que favorece a erosão e o desprendimento de sedimentos.
Além das ocorrências de maior proporção, os pesquisadores identificam deslizamentos menores que também oferecem riscos aos frequentadores das praias. Segundo Freitas, a movimentação de materiais é constante nessas formações e pode acontecer sem sinais prévios perceptíveis aos visitantes.
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“O trabalho que a gente faz de pesquisa nessa área mostra que a gente tem um volume muito maior, em menor escala, aqueles que não chamam a atenção, mas que também têm um risco, especialmente para as pessoas que ficam paradas na base da falésia”, afirmou.
O professor alertou que permanecer junto às encostas para tirar fotografias ou procurar sombra aumenta a exposição aos deslizamentos. A recomendação também vale para a parte superior das falésias, onde a circulação próxima às bordas pode provocar acidentes.
Com a aproximação do verão e das férias, o aumento da circulação de turistas nas praias do litoral potiguar amplia a preocupação com a segurança nas áreas de falésias. Segundo Rodrigo Freitas, novembro está entre os meses com maior ocorrência de acidentes relacionados a essas formações no Nordeste, período em que cresce a presença de visitantes nas regiões costeiras.
“No trabalho que a gente faz aqui de pesquisa, em nível de Nordeste, o mês de novembro é um dos meses que mais tem acidentes em falésias”, afirmou o professor. Ele explicou que o risco não está restrito aos grandes desmoronamentos, uma vez que pequenas quedas de materiais também podem atingir pessoas próximas às encostas.
O município de Tibau do Sul já registrou acidentes fatais envolvendo falésias. Em novembro de 2020, três pessoas da mesma família e um cachorro morreram após um desmoronamento na Praia do Centro, em Pipa. O episódio ocorreu em uma área de circulação de banhistas e turistas.
Atualmente, a UFRN desenvolve pesquisas para acompanhar a movimentação das falésias em diferentes trechos do litoral do Rio Grande do Norte. Os estudos abrangem as praias do Madeiro, Centro, Baía dos Golfinhos e Cacimbinhas, em Tibau do Sul, além de Tabatinga, em Nísia Floresta, e áreas do litoral Norte, especialmente em Maxaranguape.
As pesquisas incluem medições dos movimentos de terra e análises das condições que favorecem os deslizamentos. O objetivo é produzir modelos que permitam compreender melhor esses processos e fornecer informações para orientar a ocupação do solo e a visitação turística nas regiões próximas às encostas.
O pesquisador também relacionou o comportamento das falésias aos efeitos das mudanças climáticas, especialmente à elevação do nível do mar, que pode ampliar a frequência com que as ondas atingem a base das formações.
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