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Meio ambiente

Chuvas elevam risco de desabamentos em falésias do litoral do RN, alertam pesquisadores

Estado possui cerca de 400 quilômetros de litoral, dos quais aproximadamente 50 quilômetros são formados por falésias
Por O Correio de Hoje
27/07/2026 | 15:13

O aumento das chuvas no litoral do Rio Grande do Norte elevou o risco de desabamentos em trechos de falésias, segundo pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O estado possui cerca de 400 quilômetros de litoral, sendo aproximadamente 50 quilômetros compostos por falésias, com áreas de maior atenção nas praias de Pipa, Tabatinga, Cotovelo e Baía Formosa.

Infiltração da água aumenta instabilidade

Nos últimos dias, a praia de Pipa ganhou destaque após a formação de uma cachoeira sobre uma falésia, causada pelo escoamento da água acumulada pelas chuvas. O fenômeno demonstra a infiltração da água nas formações rochosas, processo que pode aumentar a instabilidade do terreno e favorecer movimentos de massa, conhecidos como quedas de barreira.

Falésia do acidente praia de Pipa (26) Copia
Pesquisadores da UFRN alertam que as chuvas aumentam o risco de desabamentos em falésias do litoral potiguar

Segundo os pesquisadores, a chuva é um dos principais fatores de transformação das falésias. A água penetra nas fraturas das rochas, aumenta o peso do material e reduz a resistência entre os blocos, podendo provocar desmoronamentos em áreas de paredões mais inclinados.

Os especialistas explicam que a ação da chuva e do mar ocorre de maneiras diferentes. Enquanto as ondas desgastam a base das formações, a água da chuva infiltra-se na estrutura da rocha e contribui para a perda de estabilidade.

Monitoramento é feito pela UFRN

A intensidade do processo depende das características geológicas de cada região. As falésias potiguares são formadas principalmente por rochas areníticas da Formação Barreiras, mas apresentam diferenças de dureza, resistência e consolidação do material.

Para acompanhar essas alterações, pesquisadores da UFRN realizam monitoramentos mensais das falésias. O trabalho busca identificar mudanças nas estruturas, apontar áreas com maior risco de desabamento e repassar informações técnicas aos órgãos públicos responsáveis.

De acordo com os pesquisadores, cada município adota medidas conforme sua capacidade operacional, enquanto o grupo de pesquisa fornece avaliações periódicas e orientações quando são identificados pontos de maior vulnerabilidade.

Orientação é evitar aproximação após chuvas

A principal recomendação para moradores e turistas é evitar a aproximação das falésias durante e após períodos chuvosos. Mesmo depois do fim da chuva, a água permanece infiltrada nas rochas e pode manter o risco de deslizamentos.

Os pesquisadores orientam manter uma distância entre cinco e dez metros tanto da base quanto da borda superior das falésias. Também há alerta para veículos estacionados próximos às bordas, já que o colapso do terreno pode provocar acidentes.

O monitoramento contínuo das formações busca acompanhar os impactos das chuvas e auxiliar na adoção de medidas preventivas, reduzindo riscos para moradores, turistas e motoristas que circulam pelo litoral do Rio Grande do Norte.