O aumento das chuvas no litoral do Rio Grande do Norte elevou o risco de desabamentos em trechos de falésias, segundo pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O estado possui cerca de 400 quilômetros de litoral, sendo aproximadamente 50 quilômetros compostos por falésias, com áreas de maior atenção nas praias de Pipa, Tabatinga, Cotovelo e Baía Formosa.
Infiltração da água aumenta instabilidade
Nos últimos dias, a praia de Pipa ganhou destaque após a formação de uma cachoeira sobre uma falésia, causada pelo escoamento da água acumulada pelas chuvas. O fenômeno demonstra a infiltração da água nas formações rochosas, processo que pode aumentar a instabilidade do terreno e favorecer movimentos de massa, conhecidos como quedas de barreira.

Segundo os pesquisadores, a chuva é um dos principais fatores de transformação das falésias. A água penetra nas fraturas das rochas, aumenta o peso do material e reduz a resistência entre os blocos, podendo provocar desmoronamentos em áreas de paredões mais inclinados.
Os especialistas explicam que a ação da chuva e do mar ocorre de maneiras diferentes. Enquanto as ondas desgastam a base das formações, a água da chuva infiltra-se na estrutura da rocha e contribui para a perda de estabilidade.
Monitoramento é feito pela UFRN
A intensidade do processo depende das características geológicas de cada região. As falésias potiguares são formadas principalmente por rochas areníticas da Formação Barreiras, mas apresentam diferenças de dureza, resistência e consolidação do material.
Para acompanhar essas alterações, pesquisadores da UFRN realizam monitoramentos mensais das falésias. O trabalho busca identificar mudanças nas estruturas, apontar áreas com maior risco de desabamento e repassar informações técnicas aos órgãos públicos responsáveis.
De acordo com os pesquisadores, cada município adota medidas conforme sua capacidade operacional, enquanto o grupo de pesquisa fornece avaliações periódicas e orientações quando são identificados pontos de maior vulnerabilidade.
Orientação é evitar aproximação após chuvas
A principal recomendação para moradores e turistas é evitar a aproximação das falésias durante e após períodos chuvosos. Mesmo depois do fim da chuva, a água permanece infiltrada nas rochas e pode manter o risco de deslizamentos.
Os pesquisadores orientam manter uma distância entre cinco e dez metros tanto da base quanto da borda superior das falésias. Também há alerta para veículos estacionados próximos às bordas, já que o colapso do terreno pode provocar acidentes.
O monitoramento contínuo das formações busca acompanhar os impactos das chuvas e auxiliar na adoção de medidas preventivas, reduzindo riscos para moradores, turistas e motoristas que circulam pelo litoral do Rio Grande do Norte.