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Tecnologia na Saúde

SUS e Einstein desenvolvem IA para identificar doenças de pele

Ferramenta criada em parceria com o Hospital Einstein tem cerca de 80% de acerto, funciona sem internet e deve auxiliar profissionais da atenção básica
Agora RN
05/11/2026 | 13:30

Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita apresentou uma taxa de acerto de aproximadamente 80% na identificação de doenças de pele. Batizado de CUTIS-AI, o sistema foi criado para auxiliar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), na avaliação de lesões cutâneas e na triagem de pacientes. O aplicativo ainda está em fase de estudo e não substitui o diagnóstico realizado por profissionais de saúde.

A tecnologia combina fotografias das lesões com informações clínicas, epidemiológicas e sociodemográficas dos pacientes. O objetivo é oferecer apoio às equipes da atenção primária, principalmente em regiões onde o acesso a dermatologistas e outros especialistas é limitado.

Profissional de saúde examinando uma lesão de pele ou utilizando um dispositivo digital durante atendimento médico
Sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Ministério da Saúde e pelo Einstein utiliza imagens de lesões para auxiliar na identificação de doenças de pele - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Entre as doenças investigadas pelo sistema estão hanseníase, esporotricose, leishmaniose cutânea, cromoblastomicose, lobomicose e tuberculose cutânea. A ferramenta também analisa lesões provocadas por acidentes com aranha-marrom.

Uma das características do aplicativo é a possibilidade de utilização sem conexão com a internet. A funcionalidade permite que profissionais de saúde realizem avaliações em localidades com dificuldades de acesso à rede, utilizando os recursos disponíveis no dispositivo.

O desenvolvimento do CUTIS-AI já envolveu aproximadamente 1,4 mil pacientes e a coleta de mais de 4 mil imagens de lesões de pele. O banco de dados reúne informações de pessoas com diferentes características e condições clínicas, permitindo que o sistema seja treinado com exemplos da população brasileira.

De acordo com informações divulgadas pelo Einstein, a pesquisa abrange dez estados e já registrou 111 manifestações cutâneas. Entre os participantes, 79% apresentam tons de pele classificados como morenos ou negros, um aspecto considerado pelos pesquisadores na construção da base de dados.

A cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho, explicou que o sistema foi desenvolvido para ampliar a capacidade de identificação de doenças que nem sempre são reconhecidas rapidamente nos serviços de saúde.

“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, afirmou.

O aplicativo foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais da atenção básica, que contribuíram com informações sobre as necessidades encontradas nos atendimentos.

O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, explicou que o desempenho de uma inteligência artificial depende das características dos dados utilizados no treinamento.

“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial”, declarou. Informação que conecta.

A tecnologia foi desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, Proadi-SUS, que reúne instituições privadas e o sistema público em projetos de pesquisa e aperfeiçoamento dos serviços de saúde.

O projeto ainda deverá passar por avaliações em condições reais de atendimento. A expectativa dos pesquisadores é verificar o desempenho do aplicativo fora do ambiente de estudo e avançar nas etapas necessárias para sua utilização na rede pública.

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