Uma nova série de ameaças de bomba contra voos comerciais provocou desvios de rotas, pousos não programados e mobilização de caças militares em diferentes países da Europa nesta quinta-feira 5. Mais de uma dezena de voos recebeu alertas de segurança, levando companhias aéreas e autoridades aeroportuárias a adotar procedimentos de emergência. Até o momento, nenhum artefato explosivo foi encontrado nas aeronaves inspecionadas.
Entre os casos registrados está o voo EI402, da companhia irlandesa Aer Lingus, que partiu de Dublin com destino a Roma, na Itália. O Airbus A320 foi desviado para a base aérea de Évreux, na França, a cerca de 100 quilômetros de Paris, após uma ameaça de bomba. A aeronave pousou em segurança e os ocupantes foram retirados para a realização de inspeções.

Segundo as autoridades francesas, o avião transportava 151 passageiros e seis tripulantes. Equipes especializadas em desativação de explosivos foram mobilizadas para examinar a aeronave. O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acompanhou a ocorrência.
Na Itália, um avião da Finnair que havia decolado de Helsinque, na Finlândia, foi escoltado por caças da Força Aérea italiana até o aeroporto de Roma. A companhia confirmou ter recebido uma ameaça de bomba, mas informou que a aeronave conseguiu pousar normalmente.
Outro voo associado à Finnair, operado pela Jettime, também recebeu um alerta durante o trajeto entre Helsinque e Viena, na Áustria. Apesar da ocorrência, o avião chegou ao destino sem necessidade de desvio.
Na Bulgária, três aeronaves precisaram realizar pousos não programados. Dois aviões procedentes de Copenhague, na Dinamarca, e Madri, na Espanha, aterrissaram em Sófia. Uma terceira aeronave, que havia partido de Londres, foi direcionada para Plovdiv, segunda maior cidade búlgara.
A sequência de ameaças também alcançou a República Tcheca. A polícia informou que quatro aviões com destino a Praga receberam alertas de bomba. Embora as autoridades tenham considerado baixa a credibilidade das mensagens, equipes de segurança foram preparadas para inspecionar as aeronaves após o pouso.
Segundo representantes do Aeroporto Václav Havel, em Praga, as ameaças foram enviadas por e-mail anônimo. A polícia tcheca confirmou que mensagens semelhantes foram encaminhadas a outros aeroportos europeus, mas a origem dos comunicados ainda é investigada.
Na Bélgica, um voo da companhia polonesa LOT, que partiu de Varsóvia com destino a Bruxelas, pousou em segurança após um alerta. A empresa informou que nenhum objeto suspeito foi encontrado. Outro avião da companhia, que seguiria para Paris, teve a decolagem interrompida por precaução, e os passageiros foram transferidos para outra aeronave.
Os episódios desta quinta-feira ocorreram dois dias depois de pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro receberem ameaças de bomba na Europa. Na terça-feira 3, aeronaves das companhias Ryanair, Wizz Air, LOT e SAS passaram por procedimentos de segurança em aeroportos da Itália, Espanha, Bulgária e Polônia.
Um dos casos provocou a suspensão temporária das operações do Aeroporto Modlin, nas proximidades de Varsóvia, enquanto um avião procedente de Londres era inspecionado. O terminal retomou as atividades após as equipes descartarem a presença de explosivos.
Na segunda-feira 2, um voo da Wizz Air que seguia de Londres para Sófia havia sido desviado para Budapeste, na Hungria, após receber uma ameaça. Um caça Gripen da Força Aérea húngara foi acionado para acompanhar a aeronave.
Até esta quinta-feira, nenhum governo havia identificado publicamente os responsáveis pela sequência de ameaças. As autoridades europeias investigam se os episódios estão relacionados e de onde partiram as mensagens enviadas às companhias aéreas e aos aeroportos.
Os incidentes ocorrem em um período de tensão na Europa, marcado por acusações de autoridades ocidentais contra Rússia e Irã por supostos atos de sabotagem e operações de interferência. Os dois países negam envolvimento nessas atividades, e não há comprovação de ligação entre eles e os alertas contra os voos comerciais.
Especialistas em segurança da aviação avaliam que ameaças falsas podem provocar interrupções nas operações, gerar custos para companhias aéreas e mobilizar equipes de emergência. As investigações prosseguem para identificar os autores das mensagens e verificar a existência de uma possível conexão entre os casos.
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