A Igreja tem uma ligação com os movimentos estudantis desde a década de 1960, com seu ápice no ano de 1968, quando as grandes reivindicações juvenis foram um divisor de águas para a compreensão do contemporâneo e de sua cultura pós-moderna.
Estamos acompanhando o que está acontecendo em alguns países europeus, mais especificamente na França e na Bélgica, com o protagonismo estudantil, que está indo às ruas para lutar pela qualidade pessoal e estrutural da educação.

No Brasil, normalmente só recepcionamos estes impulsos sociais depois de algum tempo. É possível que, num futuro não tão distante, tenhamos os mesmos fatos sociais por aqui.
Considerando a nossa conjuntura política e sua mentalidade, podemos ousar dizer que só a partir das juventudes, com espírito crítico e atentas intelectualmente aos dramas de tantas injustiças sociais do nosso país, construídas historicamente, é que podemos sonhar com possibilidades de transformação.
Quando a juventude grita, há possibilidades de escuta, pois ela exige o futuro a partir do presente, ainda mais quando este sonega as possibilidades de reconhecimento da dignidade da pessoa humana. O Brasil, quiçá, num futuro não tão distante e a partir das universidades, tenderá a seguir este caminho. Não podemos perder essa esperança!
Existem tantas situações de desmandos e desigualdades, a começar pelos gastos públicos com a máquina estatal para locupletar os integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do nosso país. Além do que o povo já patrocina por meio dos impostos, ainda temos os escândalos da corrupção.
O pior: tudo acaba em pizza, com os envolvidos nos esquemas sendo eleitos para cargos de tão grandiosa responsabilidade, deixando transparecer que a população tem os representantes que merece. A corrupção não parece ser problema. O drama é mais profundo e generalizado. Os movimentos juvenis podem e têm uma grande tarefa, já que possuem as condições de ver além da caverna.
A proposta do “Pacto Educativo Global”, lançado pelo Papa Francisco em 2019, tem, dentre os seus 10 princípios norteadores, a proposição da “escuta das novas gerações”. Tanto a Igreja como a sociedade necessitam do protagonismo juvenil em suas estruturas.
A relação da Igreja com os jovens foi determinante para o avanço de conquistas democráticas que vigoram até hoje em nossa sociedade brasileira. Como não fazer memória da Juventude Universitária Católica (JUC) e das demais juventudes que encontraram vez e voz nos movimentos eclesiais? Esses movimentos foram decisivos, durante a ditadura, para a articulação social que permitiu que pudéssemos viver num país democrático e com possibilidades de avanços políticos.
A Aliança pela Educação terá que discutir tudo isso. Os movimentos estudantis que estão a acontecer na Velha Europa ainda nos dirão a que vieram, também na América Latina e, mais especificamente, aqui no Brasil. Vamos nessa, juventudes! Assim o seja!