O mundo acompanhou atônito a invasão da Venezuela pelos americanos, com o intuito de prender o presidente Nicolás Maduro. Os interesses estão centrados no petróleo. O que menos importa é o bem do povo venezuelano. O megalomaníaco estadunidense é um reflexo da mentalidade da maioria daqueles cidadãos, que o elegeram. Algo sobre Trump pode ser dito de verdadeiro: ele não nega suas intenções e interesses. As suas ameaças sempre têm um fundo de verdade, principalmente quando os seus propósitos estão em jogo. As suas atitudes antes da prisão do ditador da Venezuela já sinalizavam o que veio a ser concretizado no nosso país vizinho.
Pelos idos de 2017, eu estive nos EUA para um curso de verão, quando àquela época fazia a minha pós-graduação em ética teológica, em Roma. Dentre tantas observações culturais e oportunidades que foram-me oferecidas, chamou-me à atenção o modo com qual os cidadãos norte-americanos referiam-se a si mesmos, enquanto nação: eles eram a “América”. Aquilo sempre inquietava-me. Era como se todo o continente americano fosse um único reflexo daquele país. Na maioria das casas, sempre era perceptível uma bandeira hasteada. O nacionalismo era patente. Os outros são os outros, sem importância, nem valor diferenciado.

O presidente Trump representa esse projeto de nação que, com o fortalecimento econômico e geopolítico da China, está sendo ameaçado. Atrás desta locomotiva estão outros países como a Rússia e a Índia. O mundo globalizado até então dominado pelos ideais estadunidenses, com a sua ideologia liberal, desde que os seus interesses não sejam ameaçados, está passando por uma planetarização, na qual outros atores globais começam a ganhar força e potência. Contudo, estes mesmos também estão a violentar os direitos internacionais, como a Rússia na Ucrânia e, possivelmente, a China em Taiwan. Ainda podemos citar o drama vivido no Oriente Médio, com a guerra entre Israel e o Hamas, tendo o povo palestino como o mais vitimado até o momento.
Há algum tempo que o Brasil também passa por situações de ameaças. Já tivemos algumas mais recentes; mas, considerando o que está sendo vivido pela Venezuela, o que teremos num futuro não tão distante será a atenção voltada à Amazônia. A maior riqueza do Brasil para o presente e o futuro da humanidade está naquela região. Ela está presente em vários países da nossa América do Sul, o que torna o tema ainda mais sensível e complexo. Somos uma região vulnerável e militarmente limitada ao enfrentamento de potências como a dos Estados Unidos. Há a urgência de um projeto de estado brasileiro que visualize esse desafio já atual e, ainda mais, para os prognósticos futurísticos.
A nossa região está dividida politicamente. Esses extremismos são alimentados por lideranças que manipulam as massas. E isso só nos fragiliza enquanto continente. O europeu também sofre com suas incertezas hegemônicas. O próprio presidente americano já o alfinetou acerca do declínio do futuro da União Europeia.
A resistência passa pelo fortalecimento da nossa cultura, principalmente com um forte investimento em educação. Essa será a nossa maior arma contra os colonialismos, sobretudo o ideológico. As invasões estadunidenses acontecem todos os dias aos nossos lares. O que consumimos é uma prova disso. Temos muitas discussões pela frente acerca do que aconteceu na Venezuela. As aulas de direito internacional terão muito conteúdo a ser debatido. Enquanto isso, os interesses econômicos estão sempre como base das ações nacionalistas e saudosas dos regimes totalitários. O velho Marx estava certo: “a economia move todas as estruturas”.
Quanto ao nosso futuro, há muitas incertezas e outras possíveis invasões dos mais fortes em detrimento dos mais fracos. Estamos necessitando de mais humanidade e menos guerra. Sonhemos e lutemos por isso. Assim o seja!