O vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com nordestinos que criticam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou sem áudio no Instagram nesta terça-feira 20. O parlamentar acusou o cantor e compositor Rubel de provocar a restrição, enquanto apoiadores do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a cobrar o artista nas redes sociais.
A gravação utiliza um trecho de “Grão de Areia”, parceria de Rubel com o cantor Xande de Pilares. “A Sony foi acionada pelo Rubel pra derrubar o som”, escreveu Nikolas no X.

Em outra mensagem, o deputado pediu a liberação da trilha e voltou a criticar o cantor. “Nunca é tarde pra refazer uma covardia contra a voz de milhões de nordestinos”, afirmou.
Até as 18h28 desta terça-feira, não havia manifestação pública de Rubel ou da Sony sobre a acusação. A participação atribuída ao artista na retirada do áudio é uma alegação de Nikolas.
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Rubel ganhou projeção na música brasileira com o álbum independente “Pearl”, lançado em 2013, que inclui “Quando Bate Aquela Saudade”. O cantor também gravou os discos “Casas” e “As Palavras”, ampliando seu repertório e as parcerias com outros artistas.
Lançado em 2023, “As Palavras” reúne participações de nomes como Milton Nascimento, Liniker, Luedji Luna e Tim Bernardes. É nesse trabalho que aparece “Grão de Areia”, com Xande de Pilares.
O artista também manifestou apoio à reeleição de Lula. Uma publicação com esse posicionamento tornou-se alvo da mobilização da Tropa do Flávio, canal de WhatsApp ligado à campanha do candidato do PL. Os participantes foram orientados a responsabilizar o cantor pelo silenciamento dos depoimentos de nordestinos.
A discussão envolve os mecanismos de proteção de obras musicais utilizados pelas plataformas. A Meta, responsável pelo Instagram, mantém ferramentas para identificar conteúdos protegidos e permitir que os titulares administrem sua utilização.
O Rights Manager integra esse sistema de proteção de propriedade intelectual do Facebook e do Instagram. Entre os recursos descritos pela empresa estão a identificação de conteúdos correspondentes a obras cadastradas e ferramentas para os detentores dos direitos controlarem sua circulação.
Intitulada “O Nordeste que foi esquecido”, a gravação apresenta moradores que relatam dificuldades relacionadas a medicamentos, renda e segurança. Antes da publicação, Nikolas havia anunciado o material como o vídeo “mais importante” que faria na campanha “e na vida”.
A vereadora de Natal e deputada federal eleita Thabatta Pimenta (PV) também entrou na discussão. Em vídeo, ela criticou a representação do Nordeste na gravação e mencionou políticas de habitação, educação e assistência social para defender Lula.
“O povo nordestino dá essa votação expressiva ao presidente Lula porque sabe do olhar do presidente Lula à saúde, à educação, à assistência, a tudo o que ele fez por nós, nordestinos”, declarou.
O episódio ocorre em meio a uma disputa sobre a atuação digital de Nikolas. Na segunda-feira 19, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que o deputado e o empresário Pablo Marçal não voltem a divulgar conteúdos já proibidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A decisão divulgada pelo tribunal também restringe o impulsionamento pago e o tratamento privilegiado das contas até o segundo turno. O comunicado trata de conteúdos anteriormente vetados e não identifica o vídeo sobre o Nordeste como alvo de uma ordem para retirada do áudio.
Lula e Flávio disputam a Presidência da República no domingo 25 de outubro.