O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende fazer uma “faxina” no Itamaraty se o irmão Flávio Bolsonaro (PL) for eleito presidente. Em vídeo nas redes sociais, ele disse ter mapeado embaixadores e diplomatas para identificar servidores que, segundo ele, teriam sabotado o governo de Jair Bolsonaro.
Eduardo declarou que o objetivo seria impedir resistência às políticas de um eventual governo de Flávio e fez ameaça a servidores que, em sua avaliação, ajudaram a sabotar a gestão anterior. Ele disse ter acompanhado transferências de postos e criticou mudanças feitas durante a transição de governo por Lula.
As declarações foram feitas após a divulgação de que Orlando Leite Ribeiro, então embaixador do Brasil em Madri, ajudou em 2025 a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de sua mulher, Renata de Abreu Moreira, para a Espanha. Mensagens divulgadas apontaram conversas sobre bairro, escolas e apoio de funcionária da embaixada; o Itamaraty confirmou parte do auxílio, segundo informações citadas no material de origem.
Eduardo afirmou que Ribeiro seria um dos primeiros a deixar o posto em caso de vitória de Flávio, mas o diplomata atualmente chefia a embaixada em Praga, na República Tcheca. A embaixada brasileira em Madri é comandada pelo ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo.
O ex-deputado, cassado pela Câmara e condenado pelo STF por coação, vive nos Estados Unidos e mantém interlocução com o governo Donald Trump e movimentos da direita radical. Durante o governo de Jair Bolsonaro, ele protagonizou embates com a China e teve influência sobre o Itamaraty na gestão de Ernesto Araújo, além de presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
A formulação de propostas da campanha de Flávio contou com Roberto Azevêdo, Marcos Troyjo e Marcos Degaut. Para reduzir preocupações de setores políticos e empresariais, parte dos aliados passou a defender a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina para o comando do Itamaraty, citando sua relação com o agronegócio.