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Caso Master

Auditoria achada pela PF mostra que o Master pagou R$ 33 milhões a ex-diretora do IDP, instituto fundado por Gilmar

Executivos do banco chamavam a advogada Dalide Corrêa de "canal direto com o STF"; ela nega ter atuado no Supremo, e documento não prova irregularidade
Agora RN
18/09/2026 | 17:13

Uma auditoria do Banco de Brasília (BRB) encontrada pela Polícia Federal registra que, em 2024, o escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Master, banco de Daniel Vorcaro. Ela já foi diretora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição de ensino criada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também trabalhou como assessora na Corte.

Segundo o documento, executivos do Master se referiam a Dalide como um “canal direto com o STF”. A auditoria, no entanto, não traz nenhuma conclusão da PF sobre a legalidade dos contratos e não demonstra que a advogada tenha agido no tribunal a favor do banco.

Daniel Vorcaro, à esquerda, e Paulo Henrique Costa, de boné do BRB, em montagem lado a lado
Imagem de arquivo: Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, banco cuja auditoria registrou os pagamentos — Reprodução

Dalide nega ter representado o Master no Supremo. De acordo com ela, os serviços contratados se limitaram a processos na primeira e na segunda instâncias da Justiça. Gilmar Mendes, até a última atualização desta reportagem, não tinha comentado o conteúdo da auditoria.

Os mesmos registros revelam que os gastos do banco com serviços jurídicos passaram de R$ 76 milhões, em 2023, para R$ 215 milhões em 2024, quase o triplo em um ano. O maior valor identificado, de R$ 40 milhões, teve como destino o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes. Esse contrato já fazia parte da investigação sobre as ligações do Master com integrantes do STF.

O novo valor aumenta o conjunto de pagamentos que a PF examina, mas não é, por si só, prova de irregularidade. O próximo passo da apuração é descobrir que serviços foram de fato prestados, quem pediu cada um deles e se as menções internas ao Supremo tinham relação com algum trabalho efetivo da advogada no tribunal.

Lula e Dino

O caso Master também mexeu com os bastidores do governo. Segundo aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou da atuação do ministro Flávio Dino na sessão do STF sobre Alexandre de Moraes e achou inadequadas as intervenções feitas em tom de deboche. Lula, ainda de acordo com esses relatos, continua a defender que todos os ministros citados no caso sejam investigados. Dino disse não ter recebido nenhum sinal de desagrado.

Pedidos de impeachment

No Senado, entre a quarta-feira 9 e a quarta-feira 16, foram registrados no sistema da Casa onze pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, apresentados desde 31 de agosto. No mesmo período entraram um pedido contra o ministro Dias Toffoli e quatro representações contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusado de não dar andamento aos processos contra ministros do Supremo.

Aprovação dos ministros

Pesquisa PoderData/Aya mostra que, entre os entrevistados que conhecem os ministros, André Mendonça é aprovado por 50% e Alexandre de Moraes, por 33%. O STF como instituição tem desaprovação de 53%. O levantamento entrevistou 3 mil pessoas, em 623 municípios, entre o domingo 13 e a quarta-feira 16. A margem de erro é de 1,8 ponto, para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95%, e o registro é BR-00360/2026.

Celular de Vorcaro

A Polícia Federal entregou a André Mendonça e a Luiz Fux o conteúdo completo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Antes da sessão sobre Moraes, o ministro Cristiano Zanin tentou acessar o material por meio de Mendonça, que é o relator. A resposta foi que as peças necessárias já estavam à disposição e que liberar todo o aparelho poderia tumultuar o julgamento e prejudicar investigações em andamento.

Empréstimos com cemitérios

Flávio Dino determinou a investigação de empréstimos de R$ 78 milhões do Master que tinham como garantia ações de uma concessionária de cemitérios da cidade de São Paulo. Dino ainda mandou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de capitais, passe a examinar também o Grupo Maya. O ministro ressalvou que eventuais fatos ligados a André Mendonça só podem ser examinados pelo ministro Edson Fachin e pelo plenário do Supremo.