BUSCAR
BUSCAR
Eleições 2026

Allyson se isola na liderança e hoje venceria eleição no 1º turno

Com 43,33%, candidato supera a soma dos adversários na pesquisa Exatus; Cadu aparece numericamente à frente de Álvaro, mas eventual vaga no segundo turno permanece indefinida
Alex Viana
17/09/2026 | 19:18

Allyson Bezerra (União Brasil) chega à nova rodada da pesquisa Exatus com 43,33% das intenções de voto para o Governo do Rio Grande do Norte. Cadu de Lula (PT) aparece com 21,07%, enquanto Álvaro Dias (PL) registra 20,27%. São 22,26 pontos de distância entre o primeiro e o segundo colocado. Uma vantagem expressiva, que desloca parte da discussão sobre a eleição: além de saber quem pode enfrentar Allyson, é preciso perguntar se haverá uma segunda etapa.

O número que mais me chama a atenção, porém, não é a distância para um adversário isoladamente. É a comparação com todos eles. Somadas, as intenções de voto nos demais candidatos chegam a 41,61%. Allyson tem 43,33%. Está, portanto, 1,72 ponto acima do conjunto dos concorrentes. É nessa conta, mais do que na liderança folgada sobre cada um, que aparece a possibilidade de resolver a disputa no primeiro turno.

Montagem com Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Cadu na pesquisa Exatus para o Governo do RN
Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Cadu na disputa pelo Governo do RN — Foto: Montagem/Agora RN

Considerando somente os entrevistados que indicaram um candidato, Allyson alcança aproximadamente 51,01%. Trata-se de um cálculo feito a partir dos percentuais do levantamento, retirando da base os 5,53% que responderam “nenhum” e os 9,53% que não souberam responder. Se essa distribuição entre os candidatos se reproduzisse nos votos válidos da eleição, seria suficiente para uma vitória sem segundo turno.

Mas convém não confundir a conta de hoje com o resultado da urna. Os indecisos ainda vão escolher, parte de quem responde “nenhum” pode mudar de posição e eleitores que já apontam um nome também podem rever o voto. A pesquisa tem margem de erro de 2,53 pontos percentuais sobre o total da amostra. Não há, portanto, base para transformar aqueles 51,01% em certeza de vitória ou em uma probabilidade calculada de encerramento da disputa.

Ainda assim, a evolução merece atenção. Em abril, Allyson registrava 37,29%. Agora, chega a 43,33%, diferença de 6,04 pontos. Na comparação mais recente, entre as entrevistas de 7 a 9 e as de 14 a 16 de setembro, passou de 41,90% para 43,33%, uma oscilação positiva de 1,43 ponto. O candidato mantém a dianteira e alcança seu maior percentual na série deste ano.

Cadu também chega ao melhor resultado da série, mas sua trajetória tem outro significado para a disputa. Saiu de 10,74% em abril para 21,07% agora, praticamente dobrando o percentual. São 10,33 pontos a mais. Na comparação entre as duas últimas rodadas, passou de 17,59% para 21,07%, avanço numérico de 3,48 pontos.

Álvaro percorreu o caminho contrário nesse intervalo mais recente. Tinha 22,20% e aparece agora com 20,27%, uma oscilação negativa de 1,93 ponto. Em abril, registrava 24,91%; em julho, chegou a 26,05%. O resultado atual fica 5,78 pontos abaixo daquele de julho.

A consequência aparece na ordem dos candidatos. Na pesquisa de 7 a 9 de setembro, Álvaro estava 4,61 pontos à frente de Cadu. Nesta, o petista aparece 0,80 ponto acima. A posição numérica mudou, mas a diferença permanece dentro da margem de erro. Cadu e Álvaro estão tecnicamente empatados. Não seria correto tratar essa passagem como uma segunda colocação já consolidada.

Se o movimento observado nas duas últimas medições continuar, Cadu ficará em condição mais favorável para disputar uma eventual segunda etapa. Essa é uma leitura possível dos números, não uma vaga assegurada. Álvaro continua próximo o suficiente para que a disputa permaneça aberta. E ambos dependem, antes, de que a eleição não termine no primeiro turno.

Minha leitura é que Allyson está mais confortável na liderança do que na garantia de uma vitória imediata. São situações diferentes. A distância para cada concorrente é grande; a distância para a soma deles é pequena. Mantida a distribuição atual entre os candidatos, venceria no primeiro turno. Uma alteração relativamente pequena nessa distribuição, contudo, pode levar a eleição para uma segunda votação. Não é necessário imaginar uma reviravolta completa para isso.

Ainda há chão, sobretudo porque quase um em cada dez entrevistados não soube indicar em quem votaria. O quadro favorece Allyson e sustenta a discussão sobre uma vitória já na primeira etapa. Mas a fronteira entre encerrar a eleição e voltar às urnas continua estreita. Se houver segundo turno, a pesquisa ainda não permite cravar quem estará do outro lado. Cadu chega numericamente à frente; Álvaro permanece na disputa.