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Justiça

Fachin dá prazo de 72 horas para André Mendonça responder sobre recurso da AGU

Presidente do STF solicitou manifestação do relator antes de decidir sobre pedido do governo para suspender o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada
Agora RN
08/09/2026 | 21:37

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta terça-feira 8 que o ministro André Mendonça apresente, em até 72 horas, sua manifestação sobre o recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) que busca suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.

Na decisão, Fachin estabeleceu que, após o envio das informações pelo relator do caso, o processo retornará à Presidência da Corte para análise do pedido apresentado pelo governo federal. Até que haja uma nova deliberação, permanecem válidos os afastamentos determinados por Mendonça.

Ministro André Mendonça e presidente do STF Edson Fachin - Fotos: Gustavo Moreno/STF e Victor Piemonte/STF
Ministro André Mendonça e presidente do STF Edson Fachin - Fotos: Gustavo Moreno/STF e Victor Piemonte/STF

A AGU sustenta que a medida adotada pelo ministro provoca impacto direto na administração pública e pede que a decisão seja revista em caráter de urgência. Para o órgão, a retirada dos dois dirigentes interfere em uma atribuição exclusiva do presidente da República, responsável pela nomeação e exoneração da direção da Polícia Federal.

No recurso, a Advocacia-Geral da União também argumenta que a substituição simultânea dos dois cargos compromete a continuidade das atividades da corporação e pode gerar prejuízos ao funcionamento da polícia judiciária. Outro ponto levantado é que os fatos investigados já eram objeto de um procedimento conduzido pela Presidência do STF, sob responsabilidade de Fachin.

Segundo a AGU, a decisão de Mendonça antecipou medidas cautelares antes da conclusão dessa apuração e submeteu o tema à Segunda Turma da Corte, embora, na avaliação do órgão, a controvérsia devesse ser apreciada pelo plenário do Supremo.

O afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada foi determinado por André Mendonça após o ministro apontar indícios de irregularidades na elaboração de relatórios de inteligência da Polícia Federal que analisaram sua atuação funcional, decisões judiciais e contatos com outras autoridades. Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático e classificou a prática como ilegal.

Além de afastar os dois dirigentes, o ministro ordenou à Corregedoria da Polícia Federal a instauração de investigações nas esferas penal e administrativo-disciplinar para identificar os responsáveis pela produção e eventual determinação dos relatórios. Enquanto o pedido da AGU não é apreciado pela Presidência do STF, a decisão continua produzindo efeitos.