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Trabalho

A fiscalização que pune empresa por risco à saúde mental já começou, e completa três meses em vigor

Período educativo acabou em 26 de maio; agora o Ministério do Trabalho pode multar com base na NR-28
Agora RN
21/08/2026 | 18:13

A discussão sobre saúde mental no trabalho deixou de ser recomendação e virou obrigação fiscalizável. Desde 26 de maio de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego pode autuar e multar empresas que não tenham incluído os fatores de risco psicossocial no seu Programa de Gerenciamento de Riscos. A fiscalização punitiva já completa quase três meses em vigor.

A base é a Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, que aprovou nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 e alterou seu Anexo I. A portaria incluiu de forma expressa os fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. Assédio e sobrecarga de trabalho passaram a ser itens obrigatórios do inventário de riscos da empresa.

Trabalhador com expressão de cansaço diante do computador em ambiente de escritório
Desde 26 de maio, empresas que não incluírem fatores de risco psicossocial no Programa de Gerenciamento de Riscos podem ser multadas pelo Ministério do Trabalho — Foto: Acervo Agora RN

O prazo não era esse originalmente. A Portaria MTE nº 765, de 15 de maio de 2025, prorrogou a entrada em vigor e estabeleceu um período de aplicação apenas educativa, em que a fiscalização orientava sem autuar. Esse período terminou em 26 de maio deste ano. As multas seguem os critérios da NR-28, calculadas conforme o número de empregados e o grau da infração.

Na prática, a mudança inverte a lógica que vigorava. Durante muito tempo, falar de saúde mental no ambiente de trabalho significava discutir o que fazer depois que alguém adoecia: o trabalhador entrava em crise, se afastava, e só então a empresa percebia o problema. A NR-1 desloca a exigência para antes — a empresa precisa identificar, avaliar e controlar o risco, e documentar isso.

É nesse contexto que ganha peso a discussão sobre letramento emocional, a capacidade de reconhecer e nomear o que se sente no ambiente profissional, tratada por O Correio de Hoje na reportagem “Saúde mental: o papel das emoções no trabalho”. Ela deixa de ser tema de bem-estar corporativo e passa a ser instrumento de conformidade.

No Rio Grande do Norte, a norma já apareceu na mesa de negociação. O Sindicato dos Bancários do RN citou expressamente a NR-1 entre as reivindicações da Campanha Salarial 2026, argumentando que a categoria tem índice elevado de adoecimento mental. A Federação das Indústrias do RN promoveu debate sobre prevenção de riscos psicossociais nas relações de trabalho ainda em junho.

Para as empresas que ainda não se adequaram, o problema deixou de ser o prazo — ele já venceu.