Golpes imobiliários envolvendo falsas vendas e financiamentos de imóveis levaram à prisão preventiva de um homem de 30 anos nesta terça-feira 18, em Natal. A Polícia Civil informou que a investigação já identificou mais de 19 ocorrências com relatos semelhantes.
Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado. Ele é apurado por estelionato em continuidade delitiva e foi encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos na delegacia.

Como funcionavam os golpes imobiliários
Segundo a Polícia Civil, o suspeito anunciava imóveis por valores abaixo do mercado, principalmente em redes sociais e plataformas de classificados. Depois do primeiro contato, as vítimas eram levadas a um escritório comercial no Tirol, onde recebiam informações sobre uma suposta aprovação de crédito imobiliário.
A negociação avançava com a cobrança de uma entrada, depositada em conta vinculada ao investigado. Em seguida, os clientes assinavam documentos apresentados como contratos de financiamento, mas que seriam, na prática, propostas de adesão a cotas de consórcio.
Novas cobranças eram feitas sob justificativas como documentação e impostos. Conforme a investigação, os imóveis não eram entregues e os clientes deixavam de conseguir contato com o suspeito.
Idosos estão entre as vítimas
A apuração identificou pessoas idosas entre as vítimas. A Justiça também autorizou a análise de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos, medida que poderá ajudar a identificar outras pessoas envolvidas e dimensionar os prejuízos.
Quem tiver sido vítima de ocorrência semelhante pode procurar uma unidade da Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência ou usar o Disque Denúncia 181, de forma anônima.
Os detalhes iniciais da ocorrência foram divulgados pelo Portal da Tropical.
A investigação aponta que, depois do pagamento da entrada, novas quantias eram solicitadas com justificativas relacionadas à documentação e a impostos. A Polícia Civil informou que os imóveis prometidos não eram entregues e que, em alguns casos, as vítimas deixavam de ter resposta do investigado.
Segundo a corporação, a prisão preventiva foi decretada após o avanço da apuração. A análise dos dispositivos eletrônicos recolhidos deverá auxiliar na identificação de outros possíveis envolvidos, no levantamento do número total de vítimas e na estimativa dos prejuízos. O caso segue sob investigação.
A Polícia Civil orienta que consumidores confirmem as condições de contratos antes de efetuar pagamentos e guardem anúncios, conversas, recibos e documentos que possam contribuir para uma eventual apuração.
Pessoas que reconheçam a dinâmica descrita pela investigação também podem repassar informações, de forma anônima, ao Disque Denúncia 181.
A polícia apura se houve a participação de outras pessoas no esquema e quantas vítimas podem ter sido atingidas. Os dados extraídos dos equipamentos apreendidos serão confrontados com os registros de ocorrência já reunidos durante a investigação.
Conforme a investigação, o suspeito teria continuado a atrair clientes mesmo após prestar esclarecimentos à polícia e tomar conhecimento da apuração. Esse comportamento, segundo a corporação, foi considerado no pedido de prisão preventiva, além da repetição dos relatos reunidos durante o inquérito.
A polícia pede que possíveis vítimas procurem uma delegacia, registrem a ocorrência e apresentem os documentos relacionados às negociações, para que os dados possam ser incorporados ao inquérito.
As informações serão avaliadas pelas equipes responsáveis pelo caso, que também buscam esclarecer a rota dos pagamentos e a eventual participação de terceiros.