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AGRONEGÓCIO

Festa do Bode mira movimento de R$ 16 milhões em novos negócios em Mossoró

Feira agropecuária começou nesta quinta-feira 13, com mais espaço para animais, produtores, agricultura familiar e novos negócios; Sebrae-RN aposta em gastronomia, aquicultura e inovação para ampliar negócios no campo
Agora RN
14/08/2026 | 06:30

A 26ª edição da Festa do Bode começou nesta quinta-feira 13, em Mossoró, com expectativa de movimentar cerca de R$ 16 milhões em negócios e ampliar a participação de produtores rurais, expositores e pequenos empreendedores. Considerada a maior feira de caprinos e ovinos do Rio Grande do Norte, a programação segue até domingo 16, no Parque de Exposições Armando Buá, reunindo exposição e comercialização de animais, leilões, torneios, capacitação, gastronomia, artesanato e atividades de inovação.

A projeção da Prefeitura de Mossoró é superar em aproximadamente 10% a movimentação financeira da edição passada. Em 2025, foram movimentados R$ 15 milhões nos quatro dias, com público estimado em 100 mil pessoas e mais de mil animais expostos. A feira reuniu ainda mais de 200 comerciantes, 60 artesãos, 30 agricultores familiares e 17 restaurantes.

Caprinovinocultura ganha espaço na pecuária potiguar em Mossoró
Caprinovinocultura ganha espaço na pecuária potiguar em Mossoró — Foto: Prefeitura de Mossoró/Divulgação

O aumento da estrutura reforça a expectativa para este ano. Todas as baias destinadas aos animais já estavam reservadas duas semanas antes da abertura. A organização acrescentou 32 baias, capacidade equivalente a cerca de 300 animais adicionais, e prevê receber entre 20 e 25 expositores a mais do que em 2025.

“A nossa expectativa para este ano é muito positiva. Nós já temos todas as baias reservadas representando 100% de reserva concluída. Acreditamos que a Festa do Bode deste ano vai bater recorde de participação dos produtores e consequentemente teremos uma grande movimentação financeira”, afirmou o secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Faviano Moreira.

O evento faz parte do Calendário Estadual de Exposições Agropecuárias de 2026 e tornou-se uma vitrine comercial para a cadeia de caprinos e ovinos do semiárido. A programação também reúne bovinos, equipamentos agrícolas, instituições financeiras e atividades destinadas à agricultura familiar.

O Sebrae-RN participa novamente da feira com um espaço voltado à capacitação, exposição de produtos e aproximação entre produtores e potenciais compradores. Uma das frentes será a gastronomia. O estande terá degustações de cortes especiais de carnes suína, ovina e caprina, numa tentativa de apresentar formas de agregar valor à produção pecuária para além da comercialização tradicional dos animais.

A iniciativa acompanha uma transformação buscada pela cadeia produtiva: aumentar a participação de cortes diferenciados, queijos e outros produtos processados no faturamento dos criadores. A agregação de valor permite que atividades ligadas à pecuária movimentem também restaurantes, pequenas agroindústrias, comércio e turismo gastronômico. Queijeiras regionais terão uma área própria para exposição, degustação e comercialização. Entre os produtos estarão queijos potiguares que já receberam premiações em concursos.

Segundo Luís Felipe, analista do Sebrae-RN, a programação inclui ainda a preparação de queijo quente ao vivo no fim da tarde de sábado 15, utilizando produtos apresentados no evento. A feira também terá uma área dedicada ao Feito Potiguar, programa que identifica produtos e serviços vinculados à produção do Rio Grande do Norte. A proposta é utilizar o fluxo de visitantes da Festa do Bode para aproximar pequenas marcas locais de consumidores e compradores.

Embora a caprinocultura e ovinocultura estejam na origem da feira, o Sebrae pretende usar o evento para discutir outras cadeias produtivas do interior potiguar. Entre elas está a aquicultura. Palestras abordarão a interiorização da carcinicultura, atividade historicamente associada à faixa litorânea e aos estuários do Rio Grande do Norte. A expansão da criação de camarão para áreas interiores abre uma nova frente para produtores, mas exige avaliação de disponibilidade e qualidade da água, tecnologia de cultivo, custos e condições ambientais.

A presença do tema mostra também a ampliação do perfil da Festa do Bode. A programação técnica deste ano contempla diferentes atividades do agronegócio, com debates sobre Rota do Mel, Rota da Fruticultura, cajucultura no semiárido, Rota do Cordeiro e manejo de ordenha, além do Encontro das Mulheres do Agro. A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) participa das ações de capacitação. Banco do Brasil e Banco do Nordeste também estarão presentes com estruturas destinadas à oferta de crédito aos produtores. A combinação entre orientação técnica e financiamento busca transformar a feira em um ambiente para decisões de investimento, além da tradicional comercialização de animais.

A inovação será outra frente da participação do Sebrae. Durante a Festa do Bode será lançada a quarta edição do Desafio EliAgro 2026, competição que reúne equipes formadas por estudantes universitários para desenvolver soluções aplicáveis ao agronegócio do Rio Grande do Norte. Nesta edição, os trabalhos serão concentrados em três cadeias: fruticultura, pecuária e aquicultura.

Os participantes deverão partir de problemas enfrentados pelos produtores para desenvolver protótipos ou modelos de negócios. A iniciativa também prevê apresentação de soluções direcionadas à agricultura familiar. A Festa do Bode faz parte de um circuito de apresentação desses projetos.

O modelo procura aproximar universidades e empresas rurais, permitindo que estudantes trabalhem com demandas concretas de produtores. Para o Sebrae, a iniciativa também funciona como porta de entrada para novos negócios ligados à tecnologia aplicada ao campo.

A ampliação da Festa do Bode em 2026 aparece principalmente na exposição animal. A instalação de 32 novas baias permitirá receber aproximadamente 300 animais a mais do que na edição anterior. Mais de mil animais são esperados, com predominância de caprinos e ovinos, além de bovinos. Produtores de diferentes Estados participam dos julgamentos, torneios e negociações.

Uma das novidades será a 1ª Exposição Nacional da Raça Soinga, ovino desenvolvido no Rio Grande do Norte e adaptado às condições do semiárido. A expectativa da organização é reunir aproximadamente 150 animais da raça, com criadores de diferentes regiões do país.

A programação pecuária inclui torneios leiteiros, julgamentos para ranqueamento das raças, circuito peso-pesado, escolha de reprodutores e leilões. Também serão apresentados resultados do programa Mossoró Rural. Outra novidade é o 1º Circuito de Produtores Rurais de Mossoró. As competições têm repercussão econômica para os criadores porque premiações e resultados obtidos em julgamentos podem influenciar a valorização genética dos animais e seus descendentes.

A referência econômica para esta edição é o resultado alcançado no ano passado. Os R$ 15 milhões movimentados em 2025 incluíram diferentes atividades realizadas durante os quatro dias, da comercialização de animais aos gastos dos visitantes com alimentação, produtos e serviços.

A Prefeitura de Mossoró trabalha agora com uma projeção próxima de R$ 16 milhões. O aumento esperado está relacionado ao maior número de expositores, à ampliação das baias e à presença de novos espaços comerciais. A feira terá uma Vila do Empreendedor, exposição de tratores e implementos agrícolas, Feira da Agricultura Familiar e Feira de Artesanato. A estrutura cria diferentes pontos de geração de receita dentro de um evento originalmente associado à pecuária.

O município também regulamentou a exploração comercial temporária no entorno do Parque Armando Buá. Decreto publicado em julho fixou em R$ 19,71 por metro quadrado a taxa de utilização do solo para barracas, tendas, trailers e instalações semelhantes durante os quatro dias. O movimento mostra a dimensão econômica alcançada pela feira. Além dos negócios formalizados entre criadores, fornecedores e compradores, a concentração de público gera receitas para alimentação, comércio informal, transporte e outros serviços em Mossoró.

A culinária regional será uma das formas de conectar a produção agropecuária ao consumidor final. A praça de alimentação terá pratos da cozinha sertaneja, enquanto pequenos produtores e agricultores familiares poderão comercializar seus produtos. A programação inclui ainda o concurso Bode Arretado, dedicado a receitas preparadas à base de carne.

O uso gastronômico é particularmente relevante para a cadeia da caprinovinocultura porque permite trabalhar cortes e preparações com maior valor agregado. A degustação promovida pelo Sebrae segue a mesma lógica, ao apresentar carnes especiais e produtos derivados aos visitantes. A edição deste ano terá também mais de 30 apresentações musicais e culturais, entre forró tradicional, repente e forró pé de serra. Com a combinação entre pecuária, crédito, tecnologia, alimentação e entretenimento, a Festa do Bode busca ampliar uma função que ganhou espaço nas últimas edições: deixar de ser apenas uma exposição de animais e funcionar como feira de negócios para diferentes elos da economia rural do Oeste potiguar.