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Arte Potiguar

Amanda Lopes transforma memórias e identidade potiguar em ilustrações

Artista potiguar apresenta exposição gratuita que convida o público a reconhecer elementos da cultura local nas ilustrações
Por O Correio de Hoje
12/08/2026 | 16:14

Há quem atravesse a cidade olhando apenas para o destino. A ilustradora potiguar Amanda Lopes prefere fazer o caminho com calma. Observa fachadas antigas, tipografias pintadas à mão em comércios de bairro, expressões populares e cenas do cotidiano. São esses detalhes, muitas vezes despercebidos, que inspiram o trabalho desenvolvido pela artista na Amandrafts, marca criada para transformar elementos da cultura nordestina em ilustrações.

Nascida e criada em Natal, Amanda desenha desde a infância. O interesse pela ilustração começou como um hobby, impulsionado pelo gosto de criar com as próprias mãos, e, ao longo dos anos, se transformou em profissão. Atualmente, seu trabalho é marcado pela valorização da identidade potiguar e reúne referências que dialogam com pessoas de diferentes regiões do país.

Espaço da exposição “Ginga – Memória, Afeto e Identidade” decorado com ilustrações coloridas, expressões populares e referências à cultura potiguar
Ilustrações de Amanda Lopes transformam cenas, costumes e referências do cotidiano potiguar em obras que valorizam a identidade - Foto: divulgação

Segundo a artista, a relação com a cultura local é resultado da convivência diária com o lugar onde cresceu e da atenção aos detalhes que fazem parte da rotina.

“Quanto mais vivo um lugar, mais referências encontro. Ser potiguar faz parte de quem eu sou e, por isso, minhas ilustrações carregam esse olhar sobre o cotidiano. São as pequenas vivências que me fazem enxergar beleza em diferentes elementos”, afirma.

Para Amanda, a cultura do Rio Grande do Norte está presente muito além das manifestações tradicionais. Ela acredita que a identidade potiguar pode ser percebida na paisagem, na culinária, na linguagem, na música, nas festas populares, nos costumes e na forma como as pessoas ocupam a cidade.

“Pra mim, a cultura potiguar está na paisagem, na comida, na linguagem, na música, nas festas, nos nossos costumes e na forma como a gente vive e ocupa a cidade. Muitas vezes convivemos tanto nesses ambientes que deixamos de perceber o quanto eles são únicos”, destaca.

Ao levar essas referências para o papel, a ilustradora busca despertar reconhecimento e pertencimento. Mais do que representar cenários e objetos, ela procura despertar lembranças e emoções em quem observa as obras.

“Eu gosto quando uma pessoa olha para um desenho e lembra de uma história da infância, de um lugar especial ou de alguém querido. Se minha arte consegue provocar isso, sinto que ela cumpriu seu papel”, completa.

O trabalho também abriu espaço para novos projetos. Neste ano, Amanda desenvolveu, em parceria com a Adobe, uma obra inspirada no tradicional Bloco dos Cão, que foi exposta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Ela também assina, pelo segundo ano consecutivo, as ilustrações do Ahaya de Rua, evento junino que celebra as festas de São João de outrora e reúne artistas de diferentes linguagens.

Mesmo com diferentes produções ao longo da carreira, Amanda acredita que nenhuma delas resume sua trajetória. Para a ilustradora, cada desenho representa uma fase da vida, uma memória ou uma experiência específica.

Entre obras que retratam o São João nordestino inspirado nas letras de Flávio José, expressões tipicamente potiguares e cenários como o quintal de uma casa em São Miguel do Gostoso, a artista vê reunidos diferentes capítulos de sua própria história.

“É o conjunto delas que conta a minha história como artista e representa, de verdade, o que eu sou”, afirma.

Esse olhar sobre o cotidiano pode ser conferido na exposição “Ginga – Memória, Afeto e Identidade”, em cartaz no piso L2 do Natal Shopping, após a escada rolante do Cinépolis.

A mostra reúne ilustrações que apresentam diferentes aspectos da cultura potiguar e convida os visitantes a reconhecerem, nas imagens, elementos presentes no dia a dia do estado. O nome da exposição faz referência tanto ao tradicional peixe servido com tapioca nas praias de Natal quanto ao movimento, ao jeito de viver e de ocupar os espaços.

Segundo Amanda, a proposta é mostrar que a identidade cultural também está presente em situações simples da rotina e incentivar um olhar mais atento para o cotidiano.

“Poder apresentar meu trabalho em um espaço tão acessível e acompanhar as pessoas conhecendo minhas artes, tirando fotos no stand e compartilhando essa experiência comigo pelas redes sociais me deixa muito feliz. É uma forma de perceber o quanto a arte realmente cria conexões”, finaliza.