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Tecnologia

RN debate minerais críticos e terras raras

Encontro discutirá oportunidades para o Estado na cadeia de insumos usados pelas indústrias de tecnologia, energia e defesa
Redação
05/08/2026 | 05:29

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (Senai-RN) e o Sindicato da Indústria da Extração de Minerais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Estado (Sindiminerais-RN) realizam, nesta quinta-feira 6, o evento “Minerais críticos para o RN”. O encontro discutirá oportunidades para o Estado na cadeia de insumos usados pelas indústrias de tecnologia, energia e defesa.

A programação será realizada das 14h às 18h, no auditório do 7º andar da Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), em Natal. As inscrições são gratuitas, têm vagas limitadas e podem ser feitas pela plataforma Sympla.

Terras raras 01
Um dos principais assuntos será a cadeia produtiva dos minerais raros - Foto: Serviço Geológico do Brasil

O evento reunirá representantes da indústria mineral, fornecedores, pesquisadores, professores, estudantes e profissionais das áreas de mineração, geologia, engenharia, energia, meio ambiente e inovação. Gestores públicos e integrantes de instituições de pesquisa e desenvolvimento também fazem parte do público esperado.

O debate ocorre em um momento de ampliação da demanda mundial por minerais utilizados na produção de baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos eletrônicos e semicondutores. Lítio, cobalto, níquel e elementos de terras raras integram esse grupo.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, minerais críticos são recursos indispensáveis para setores industriais e tecnológicos, mas sujeitos a riscos de escassez ou à dependência de um número reduzido de países fornecedores. Essa concentração transformou a mineração e o processamento desses materiais em temas de política industrial, segurança econômica e transição energética.

A discussão não se limita à extração. O domínio das etapas de processamento, separação, refino e fabricação de componentes determina quanto valor permanece nos países produtores. No caso das terras raras, a cadeia inclui desde a exploração mineral até a produção de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, aerogeradores, aparelhos eletrônicos e equipamentos industriais.

O encontro em Natal abordará a cadeia produtiva das terras raras, economia circular, políticas públicas, governança dos recursos naturais e formas de ampliar a participação brasileira nos segmentos industriais ligados a esses materiais. A iniciativa conta com apoio da Fiern e do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) Senai Ímãs de Terras Raras.

A programação será aberta com a palestra “Economia Circular em Terras Raras: o MagBras como Plataforma para uma Nova Indústria Nacional”, apresentada por André Pimenta, coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do CIT Senai Ímãs de Terras Raras.

Químico e mestre em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Pimenta trabalha há mais de 20 anos com pesquisa aplicada nas áreas de minerais críticos, hidrometalurgia e materiais magnéticos. Ele lidera projetos destinados ao desenvolvimento da cadeia brasileira de terras raras, entre eles o MagBras.

O projeto atua no desenvolvimento de tecnologias para a fabricação de ímãs permanentes no Brasil. Esses componentes possuem aplicações em motores, geradores e sistemas eletrônicos, mas sua produção mundial está concentrada em poucos países. A proposta é aumentar a capacidade tecnológica nacional e estimular o aproveitamento de materiais ao longo do ciclo produtivo.

Na sequência, o consultor legislativo do Senado Federal Israel Lacerda de Araújo apresentará a palestra “Minerais Críticos para o Brasil”. A exposição tratará da relação desses recursos com a soberania nacional, a competitividade da indústria e a transição para uma economia de baixo carbono.

Araújo é geólogo, mestre em Geociências Aplicadas pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Também foi pesquisador visitante no Centre for Environmental Policy, da Imperial College London.

O consultor desenvolve pesquisas sobre mudanças climáticas, captura, utilização e armazenamento de carbono, governança de recursos naturais, bioenergia com captura de carbono, economia institucional e políticas públicas para os setores mineral e energético.

Para o Rio Grande do Norte, o debate conecta o potencial mineral às atividades industriais e energéticas já instaladas no Estado. A expansão da geração eólica e solar aumenta a relevância de cadeias capazes de fornecer equipamentos, materiais magnéticos, sistemas de armazenamento e componentes usados na infraestrutura de geração de eletricidade.