O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que aceitará o resultado das eleições deste ano. A declaração foi dada no domingo 2, durante entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews, após o parlamentar ser questionado sobre críticas recentes ao sistema eletrônico de votação.
“Eu vou aceitar, vou concorrer com essas regras. E eu tenho certeza que o TSE, diferente do de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”, declarou.

Flávio disse acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral é o principal interessado na realização de um pleito dentro da normalidade, mas voltou a criticar a atuação da Corte nas eleições presidenciais anteriores. Ele mencionou a multa de R$ 22 milhões aplicada ao PL por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
O TSE é comandado atualmente pelo ministro Kassio Nunes Marques, tendo André Mendonça como vice-presidente. Os dois foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a pré-campanha, Flávio tem feito críticas recorrentes a Moraes e chegou a acusá-lo de tentar interferir na eleição ao proibir visitas ao pai.
A discussão sobre o reconhecimento do resultado voltou ao centro do debate depois de uma reunião realizada no dia 21 com embaixadores e diplomatas. No encontro, Flávio reproduziu uma informação falsa ao afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras tinham a mesma origem dos equipamentos produzidos pela empresa venezuelana Smartmatic. Também mencionou um relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre a companhia e pediu o envio do maior número possível de observadores internacionais para acompanhar a eleição brasileira.
A Justiça Eleitoral já havia esclarecido, em nota publicada em 2020, que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem os programas utilizados nos equipamentos brasileiros. A companhia prestou outros serviços ao processo eleitoral, entre eles o treinamento de profissionais responsáveis por suporte técnico e operacional.
Na entrevista de domingo, Flávio reconheceu que errou ao dizer que a empresa venezuelana havia fornecido as urnas, mas ressaltou que ela participou de outras etapas do processo. O candidato recomendou que o público consultasse o site da companhia e voltou a defender o aumento dos mecanismos de fiscalização.
“Eu só estou cobrando que o TSE imponha mais camadas de segurança, transparência. Não tô falando contra as urnas”, afirmou. Segundo o senador, o debate sobre o sistema eletrônico é tratado como um assunto proibido, o que, na avaliação dele, indicaria que o Brasil não vive uma democracia plena.
Questionado se também colocava em dúvida os votos que recebeu na eleição de 2022, Flávio negou. “Esses votos eu tive”, respondeu.
O candidato voltou a definir sua postulação à Presidência como uma candidatura de protesto e repetiu críticas ao processo que resultou na condenação e prisão de Jair Bolsonaro.