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Oriente Médio

Ataque iraniano eleva tensão e amplia risco de guerra

Ofensiva do Irã encerra pausa nas ações militares americanas e amplia tensões no Oriente Médio, com reflexos sobre o mercado de energia
Por O Correio de Hoje
31/07/2026 | 13:50

O ataque do Irã contra uma base usada pelos Estados Unidos na Jordânia encerrou a pausa nos bombardeios americanos e abriu uma nova fase no conflito no Oriente Médio. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou nesta quinta-feira, 30, que atingiu dezenas de instalações da Guarda Revolucionária em uma ofensiva com duração aproximada de duas horas.

A ação iraniana ocorreu poucos dias depois de o presidente Donald Trump suspender os ataques ao território do país para permitir o avanço de negociações indiretas. Cinco mísseis balísticos foram interceptados pelas defesas jordanianas, sem registro de vítimas. Trump afirmou que os Estados Unidos responderiam “muito duramente”, apesar de os projéteis não terem atingido a base.

Míssil do Irã
Ação contra base dos EUA na Jordânia leva Washington a retomar bombardeios e aumenta tensão sobre petróleo - Foto: reprodução / you tube

A Guarda Revolucionária assumiu o lançamento e afirmou que manterá a ofensiva enquanto persistirem ameaças contra os interesses iranianos. A escolha do alvo chamou atenção porque a mesma instalação havia sido atingida recentemente em um ataque que matou militares americanos. O Pentágono classificou a nova ação como uma tentativa de ataque surpresa.

Uma das hipóteses avaliadas é que Teerã tenha buscado responder ao ataque ucraniano contra um navio iraniano no Mar Cáspio, acusado por Kiev de transportar material militar para a Rússia. Segundo o New York Times, autoridades iranianas chegaram a considerar um ataque a um porto da Ucrânia, mas recuaram diante do risco de abrir outra frente de guerra. Não há confirmação de que o episódio tenha motivado a ofensiva na Jordânia.

A escalada ocorre em paralelo a ataques de grupos ligados ao Irã contra instalações de petróleo da Arábia Saudita e rotas comerciais no Mar Vermelho. Drones atingiram ainda embarcações no porto egípcio de Damietta, próximo ao Canal de Suez. Os Estados Unidos e a Arábia Saudita responderam com bombardeios contra milícias apoiadas por Teerã no Iraque.

Os ataques elevaram a volatilidade no mercado de energia. O petróleo Brent superou US$ 90 por barril na quarta-feira, 29, antes de recuar para cerca de US$ 89 nesta quinta-feira, 30, diante da proposta saudita de formar uma coalizão para proteger as rotas do Mar Vermelho e do Golfo de Áden.

As negociações também enfrentam impasse sobre o Estreito de Ormuz. O Irã rejeitou uma proposta de Omã para a administração conjunta da passagem e reivindica maior controle sobre as rotas de entrada e saída. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido globalmente atravessava o estreito, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.

A retomada dos bombardeios reduz a perspectiva de um acordo no curto prazo e aumenta os riscos para países que recebem forças americanas. Também ameaça ampliar custos de transporte, seguros marítimos e energia caso os ataques alcancem novas instalações petrolíferas ou restrinjam ainda mais a circulação por Ormuz e pelo Mar Vermelho.