O turismo do Rio Grande do Norte atravessa o período de maior expansão desde a pandemia e registra crescimento acima da média nacional tanto no mercado doméstico quanto no internacional. Após recuperar, em 2024, os níveis de movimentação observados antes da crise sanitária, o Estado passou a ampliar sua participação no fluxo turístico brasileiro, impulsionado pela expansão da malha aérea, pela intensificação da promoção internacional e pelo reposicionamento do destino nos principais mercados emissores.
Segundo o presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, em entrevista concedida ao jornalista Elias Luz, no podcast Economia & Negócios, da TV Agora RN, o Rio Grande do Norte foi o Estado que mais cresceu na recepção de turistas internacionais nos primeiros meses de 2026, resultado de uma estratégia baseada na ampliação da conectividade, na qualificação da promoção do destino e na diversificação dos produtos turísticos.

Recuperação supera os níveis pré-pandemia
O setor turístico foi um dos mais afetados pela pandemia de covid-19, interrompendo um ciclo de expansão que começava a se consolidar no início do atual governo estadual. Segundo Fernandes, enquanto o Brasil voltou aos níveis pré-pandemia em 2023, o Rio Grande do Norte recuperou esse patamar apenas em 2024. Desde então, porém, o ritmo de crescimento acelerou.
Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico de 9,3 milhões de turistas internacionais, superando pela primeira vez a marca de sete milhões registrada em anos de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Nesse cenário, o Rio Grande do Norte apresentou desempenho superior à média nacional. “O Rio Grande do Norte cresceu em torno de 56% em 2025, enquanto o Brasil cresceu pouco mais de 40%. Foi o segundo maior crescimento do País”, afirmou o presidente da Emprotur. Nos cinco primeiros meses de 2026, segundo ele, o Estado passou a liderar o ranking nacional de crescimento do turismo internacional.
Argentina impulsiona novo ciclo internacional
Grande parte da expansão recente está ligada ao mercado argentino, que voltou a apresentar forte crescimento em razão das mudanças econômicas ocorridas naquele país. Segundo Fernandes, entretanto, o desempenho potiguar não decorre apenas do cenário macroeconômico. “O Rio Grande do Norte estava melhor posicionado na Argentina quando esse crescimento aconteceu. Nós apostamos nesse mercado antes mesmo do boom”, afirmou.
A estratégia incluiu a conquista do voo entre Natal e o Aeroparque, em Buenos Aires, posteriormente ampliada com a entrada da companhia JetSmart, que passou a operar voos diários para Natal, além da manutenção das operações da Gol e do anúncio de uma nova frequência da Latam a partir de dezembro.
Com isso, a oferta direta de voos entre Buenos Aires e Natal aumentou mais de 300%, fortalecendo a presença do Rio Grande do Norte no principal mercado emissor da América do Sul. Além da Argentina, o Estado registrou crescimento em nove dos dez principais países emissores de turistas, segundo a Emprotur.
Europa amplia participação no turismo potiguar
O fortalecimento da conectividade aérea também favoreceu o mercado europeu. A TAP ampliou de cinco frequências semanais para voos diários entre Lisboa e Natal, enquanto turistas de Espanha, Itália, França e Alemanha passaram a chegar em maior número, principalmente por meio de conexões em Lisboa, Guarulhos, Galeão e Brasília.
Segundo Fernandes, aproximadamente 80% dos turistas internacionais desembarcam inicialmente em outros aeroportos brasileiros antes de seguir para Natal. Para ampliar esse fluxo, a Emprotur intensificou sua participação em feiras internacionais, roadshows e programas de capacitação destinados a operadores e agentes de viagens. “Hoje ensinamos os agentes de viagens a vender o Rio Grande do Norte, mostrando nossa rede hoteleira, nossas experiências e os diferenciais do destino”, explicou. Somente em 2025, cerca de 13 mil agentes de viagens participaram dessas capacitações.
Sustentabilidade muda posicionamento do destino
Um dos principais diferenciais apontados por Fernandes é a mudança na forma como o Estado passou a ser promovido no exterior. Segundo ele, a divulgação deixou de enfatizar apenas praias e paisagens para apresentar o Rio Grande do Norte como um destino sustentável, associado à geração de energia renovável, ao hidrogênio verde, ao kitesurfe e às experiências ligadas à natureza e à cultura local. “O europeu procura experiências. Ele quer saber como vai se sentir aqui, conhecer nossa cultura, nossa gastronomia e conviver com a comunidade”, afirmou.
A segurança pública e a melhoria da infraestrutura também passaram a integrar o discurso de promoção internacional. De acordo com o dirigente, o Estado hoje pode ser apresentado como um destino com boas rodovias, aeroporto modernizado e uma das capitais mais seguras do Nordeste, atributos considerados relevantes pelo turista europeu.
Turismo doméstico também acelera
Embora o crescimento internacional concentre maior visibilidade, o mercado doméstico passou a apresentar forte expansão em 2026. Segundo dados apresentados pela Emprotur, o Rio Grande do Norte recebeu aproximadamente 1,25 milhão de passageiros em voos domésticos durante o primeiro semestre deste ano, ante cerca de 1,05 milhão no mesmo período de 2025.
O crescimento de 15,7% colocou o Estado na liderança nacional entre os principais destinos turísticos. Os mercados prioritários permanecem São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Segundo Fernandes, a estratégia não busca apenas ampliar o número de visitantes, mas também aumentar o tempo de permanência e o gasto médio de cada turista. “Não basta trazer um avião cheio. É preciso trazer turistas que permaneçam mais dias no destino e deixem mais recursos na economia”, afirmou.
Promoção nacional ganha reforço na televisão
No mercado brasileiro, uma das principais iniciativas da Emprotur foi a ampliação da exposição do Estado em programas de televisão de alcance nacional. A estratégia incluiu gravações do programa Caldeirão com Mion, da novela A Nobreza do Amor, do Encontro com Patrícia Poeta e de outras atrações da TV Globo.
Segundo Fernandes, o conjunto dessas ações proporcionou mais de mil minutos de exposição do Rio Grande do Norte na televisão aberta entre março e outubro de 2026.O objetivo foi mostrar não apenas o litoral, mas também atrativos culturais, gastronômicos e religiosos do interior do Estado. Entre os exemplos citados está o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz, cuja notoriedade nacional aumentou significativamente após sua divulgação na programação televisiva.
Interiorização amplia oportunidades
Para o presidente da Emprotur, o crescimento do turismo depende também da distribuição dos visitantes por diferentes regiões do Estado. Destinos como São Miguel do Gostoso, Galinhos, Serra de Martins, Serra de São Bento, Felipe Guerra, Areia Branca e Baía Formosa passaram a integrar com maior intensidade as campanhas promocionais.
No caso de Baía Formosa, Fernandes destacou a implantação de um novo resort de capital polonês, que deverá ampliar a capacidade de hospedagem e transformar o município em um novo polo turístico do litoral sul. Segundo ele, o empreendimento poderá estimular inclusive o aumento da presença de turistas do Leste Europeu.
Malha aérea impulsiona crescimento
Outro fator considerado decisivo foi a ampliação da conectividade aérea. Segundo Fernandes, a política estadual de incentivo tributário ao setor aéreo permitiu que Gol, Latam e Azul ampliassem simultaneamente a oferta de voos para Natal em percentuais de dois dígitos ao longo de 2026.
A combinação entre maior oferta de assentos, campanhas de promoção e fortalecimento das relações comerciais com operadoras de turismo ampliou significativamente a competitividade do destino. Hoje, segundo a Emprotur, campanhas cooperadas são realizadas com 12 grandes operadoras nacionais e internacionais, fortalecendo a comercialização do Rio Grande do Norte em praticamente todos os principais mercados emissores do País.
Crescimento depende do engajamento local
Apesar dos indicadores positivos, Fernandes avalia que o processo de expansão depende também do fortalecimento do turismo regional e do sentimento de pertencimento da população. “O potiguar precisa conhecer o próprio Estado. Conhecer para viajar, mas também para defender o Rio Grande do Norte. Os principais destinos turísticos do mundo cresceram quando a própria população passou a valorizar o lugar onde vive”, destacou.