A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira 23 a Operação Robótica para investigar possíveis irregularidades em um contrato de R$ 8,8 milhões destinado à compra de kits de robótica e livros para alunos da rede municipal. As análises apontam superfaturamento estimado em R$ 3,4 milhões, envolvendo recursos dos precatórios do Fundef e repasses do Fundeb.
Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Serrinha (BA) e Recife. A operação é um desdobramento da apuração iniciada em abril de 2022 sobre contratos firmados por 43 municípios. A PF identificou indícios de direcionamento de licitações, simulação de pesquisas de preços e compras realizadas por valores até 420% superiores à média de mercado. Também foram constatadas aquisições acima da demanda, como a de uma prefeitura com 1.857 alunos que comprou oito mil kits.

A investigação alcançou Luciano Cavalcante, então assessor do deputado Arthur Lira (PP-AL), após a análise de movimentações financeiras suspeitas e de uma rede que teria sido usada para movimentar recursos ilícitos. Anotações apreendidas mencionavam pagamentos de cerca de R$ 265 mil a “Arthur”, conforme revelou a revista Piauí. Cavalcante negou participação no esquema, enquanto Lira afirmou que seus recursos têm origem na atividade agropecuária e no salário parlamentar.
Lira declarou ainda que as irregularidades investigadas não possuem vínculo com ele. Em 2023, o ministro Gilmar Mendes arquivou a apuração contra o parlamentar por entender que o caso deveria ter tramitado desde o início no Supremo Tribunal Federal, devido ao foro privilegiado. O deputado também ressaltou que o Ministério Público Federal arquivou o inquérito civil em 2025 e que houve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
Além do superfaturamento, a PF apura a ausência de entrega de parte dos produtos, desvio de recursos e uso dos kits para finalidade diferente da prevista. Os investigados poderão responder por associação criminosa, fraude e frustração de licitação, além de peculato-desvio.