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Família Bolsonaro

Rixas e investigações marcam vida política de mulheres de Bolsonaro

Desentendimentos entre ex-primeira-dama e senador se somam a conflitos envolvendo ex-esposas, filhos e candidaturas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 13:33

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, é o episódio mais recente de uma série de conflitos familiares que marcaram a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao longo dos anos, as três mulheres com quem foi casado ocuparam espaços na política ou em seu entorno e, em diferentes momentos, estiveram envolvidas em disputas eleitorais, divergências familiares ou investigações.

O atual impasse ganhou força após Michelle tornar públicas críticas à condução política de Flávio e às articulações do PL no Ceará. A ex-primeira-dama, que chegou a deixar o comando do PL Mulher, resiste a se engajar na pré-campanha do enteado, movimento visto por aliados como um problema para a tentativa de ampliar o apoio entre mulheres e evangélicos.

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Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro / Rogéria Bolsonaro deverá ser candidata a suplente / Ana Cristina esteve na crise das ‘rachadinhas’ - Foto: Instagram / Reprodução

O histórico de atritos remonta ao início dos anos 2000. Depois de se divorciar da vereadora carioca Rogéria Bolsonaro, eleita em 1992 e reeleita em 1996, Jair Bolsonaro apoiou a candidatura do filho Carlos Bolsonaro para disputar justamente a vaga ocupada pela mãe. Em 2000, Carlos foi eleito vereador aos 17 anos, enquanto Rogéria não conseguiu a reeleição. Carlos permaneceu na Câmara Municipal do Rio até o fim do ano passado.

Após o casamento com Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan Bolsonaro, a família viveu um período de crescimento patrimonial. Entre 1997 e 2008, o casal adquiriu 14 imóveis e terrenos, cinco deles pagos em dinheiro vivo. Esses negócios passaram a ser investigados após a eleição presidencial de 2018, quando a família Bolsonaro passou a ser alvo de maior escrutínio.

Ana Cristina tornou-se personagem das investigações sobre o suposto esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Embora não tenha sido denunciada, integrou um dos núcleos investigados por causa da nomeação de dez parentes em cargos comissionados. Segundo o Ministério Público, dos R$ 4,8 milhões pagos em salários ao grupo familiar no período analisado, cerca de R$ 4 milhões foram sacados em espécie. Ela também teve o sigilo bancário quebrado na investigação sobre suposta prática semelhante no gabinete de Carlos Bolsonaro, onde exerceu a função de chefe de gabinete.

Documentos divulgados pelo portal UOL em 2022 revelaram que Ana Cristina enviou uma carta a Jair Bolsonaro em 2007 relatando dificuldades no relacionamento e conflitos envolvendo Carlos Bolsonaro. No texto, ela afirma: “Por dois anos, eu o amei, amparei e socorri todos os seus medos e em troca tive o título de sedutora de menor. Ah, como dói, dói muito, fala para ele que meu amor era sincero e puro”, indicando que os desentendimentos entre companheiras de Bolsonaro e seus filhos não são recentes.

Durante o relacionamento com o então deputado, Ana Cristina também ocupou cargos em gabinetes ligados ao ex-marido. Inicialmente, trabalhou como assessora na liderança do antigo PPB na Câmara dos Deputados. Posteriormente, tentou ingressar na política eleitoral. Em 2018, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro usando o nome de urna “Cristina Bolsonaro”. Em 2022, repetiu a estratégia ao disputar uma vaga de deputada distrital no Distrito Federal pelo PP. Ela não foi eleita em nenhuma das duas eleições.

Segundo pessoas próximas à família, Michelle Bolsonaro nunca aprovou o uso do sobrenome Bolsonaro pela ex-mulher do presidente em campanhas eleitorais. Em 2022, a disputa ganhou outro componente porque um irmão da ex-primeira-dama também tentou, sem sucesso, eleger-se deputado distrital.

Rogéria Bolsonaro também buscou retornar à vida pública. Em 2020, disputou novamente uma cadeira na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, desta vez com apoio político do filho Carlos e do ex-marido, embora Jair Bolsonaro tenha mantido distância da campanha. Ela recebeu cerca de 2 mil votos e não foi eleita.

Para as eleições deste ano, Rogéria foi escolhida como suplente do pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Márcio Canella (União). A composição, porém, passou a ser cercada de incertezas após Canella ser preso em flagrante por posse ilegal de fuzil. Diante desse cenário, aliados do bolsonarismo passaram a defender que Flávio Bolsonaro convide a própria mãe para ocupar a vaga de candidata ao Senado pelo PL, aberta após a desistência do ex-governador Cláudio Castro.