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Eleições 2026

PL busca mulher para vice de Flávio Bolsonaro e desenha estratégia após crise com Michelle

Campanha procura nome capaz de ampliar apoio feminino, recompor o bolsonarismo após crise com Michelle e atrair novas alianças partidárias
Por O Correio de Hoje
07/07/2026 | 14:06

A duas semanas do início das convenções partidárias, a escolha dos candidatos a vice-presidente entrou em fase decisiva e expõe as diferentes estratégias das campanhas para ampliar alianças e fortalecer seus projetos eleitorais. No PL, a definição da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra um desafio adicional: encontrar uma mulher que ajude a melhorar o desempenho entre o eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, contribua para reorganizar o campo bolsonarista após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Entre os principais pré-candidatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) na chapa com a qual disputará a reeleição. Ronaldo Caiado (PSD) anunciou o presidente da legenda, Gilberto Kassab, como vice. Um dia depois, Renan Santos (Missão) confirmou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina (Missão) como companheiro de chapa. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) ainda não concluíram suas escolhas.

Flávio com mulheres
Reunião entre pré-candidato à Presidência e mulheres do PL em 1º de julho - Foto: PL / Divulgação

No entorno do senador do PL, a definição da vice é tratada como uma das peças centrais da articulação política da pré-campanha. Aliados avaliam que o nome precisará desempenhar várias funções simultaneamente: ampliar a penetração da candidatura entre as mulheres, aproximar diferentes alas do bolsonarismo e sinalizar uma superação da crise com Michelle, episódio considerado internamente um dos principais desgastes enfrentados por Flávio.

Um dos nomes que avançaram nas discussões é o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Filiada ao Republicanos desde abril, a economista combina perfil técnico, trânsito no mercado financeiro e proximidade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ela também participa da elaboração do programa econômico e da construção de propostas do plano de governo direcionadas ao público feminino.

Dentro do PL, há ainda a avaliação de que a escolha de Daniella poderia abrir espaço para uma aproximação com o Republicanos, considerado importante para ampliar a base política da candidatura. O avanço dessa articulação, entretanto, depende das negociações nos estados.

Apoios estaduais entram na negociação

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, afirma que ainda não houve negociação formal para indicar Daniella Marques à vice-presidência. Segundo ele, qualquer discussão nesse sentido dependerá primeiro de entendimentos sobre as disputas estaduais.

“A prioridade é eles apoiarem nossos candidatos. Para tratar de vice, precisa superar essa fase. Precisam apoiar nossos pré-candidatos a governador em Mato Grosso, Acre, Espírito Santo e Roraima”, afirmou.

No Rio Grande do Norte, o PL tem a pré-candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Estado, enquanto o Republicanos integra o grupo de Allyson Bezerra (União).

A deputada Bia Kicis (PL-DF) também figura entre as possibilidades. Ligada à ala mais fiel do bolsonarismo e próxima de Michelle, a parlamentar passou a ser considerada por integrantes do partido como uma opção capaz de circular entre os grupos envolvidos na crise interna.

Apesar da amizade com a ex-primeira-dama, Bia participou, na semana passada, de um café da manhã organizado por Flávio com deputadas e lideranças conservadoras. A expectativa é que também esteja presente nas próximas reuniões da pré-campanha em São Paulo. Para integrantes do PL, essa capacidade de interlocução tanto com o núcleo de Michelle quanto com a campanha presidencial tornou-se um dos principais ativos políticos da deputada.

Outro nome mantido no radar é o da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), defendida publicamente por Eduardo Bolsonaro e com respaldo entre setores da militância bolsonarista. Nos bastidores da campanha, contudo, há a avaliação de que sua indicação poderia ter alcance limitado fora da parcela mais ideológica da base partidária.

Outros nomes no radar

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece entre as possibilidades. Seu nome é associado à capacidade de aproximar a chapa do agronegócio e de setores partidários do centro. Reservadamente, porém, ela afirma não ter recebido convite e sustenta que sua prioridade é disputar a presidência do Senado.

Outra opção considerada é a deputada Simone Marquetto (PP-SP). Ex-prefeita de Itapetininga, no interior paulista, ela é vista como um nome com capacidade de interlocução junto a prefeitos e lideranças municipais. “Se meu nome for escolhido, a experiência com o Executivo municipal vai ser minha grande entrega”, afirmou.

Interlocutores que acompanham as conversas avaliam que uma eventual indicação de Simone também poderia fortalecer a relação da campanha com o PP, legenda que ainda não oficializou sua posição na disputa presidencial. Nos próximos dias, a deputada deverá se reunir com o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), para tratar do cenário eleitoral.