A decisão de Carlo Ancelotti de manter Bruno Guimarães como cobrador do pênalti desperdiçado pelo Brasil na derrota para a Noruega, pela Copa do Mundo de 2026, abriu debate sobre os critérios adotados pela comissão técnica da seleção. Após a partida, o treinador italiano afirmou que a definição da ordem dos cobradores foi baseada em estatísticas de desempenho dos últimos 12 meses, elaboradas antes da partida.
“Nós fizemos uma estatística de um ano e escolhemos Bruno Guimarães porque pensamos que era o melhor no campo”, afirmou Ancelotti. Segundo o treinador, a lista elaborada pela comissão técnica colocava Neymar, Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli como os cinco primeiros cobradores. Como os três primeiros não estavam em campo no momento da penalidade, a responsabilidade ficou com o meio-campista do Newcastle.

Os números, entretanto, mostram um cenário mais equilibrado do que a ordem apresentada pela comissão técnica. No período considerado por Ancelotti, Bruno Guimarães executou apenas três cobranças oficiais, com dois gols e um erro, o equivalente a um aproveitamento de 66,7%. Já Vinícius Júnior, que sequer foi citado entre os cinco primeiros cobradores e aparecia apenas como sexta opção, converteu cinco dos sete pênaltis que cobrou pelo Real Madrid, alcançando aproveitamento de 71,4%.
Os dois erros de Vini ocorreram diante do Valencia, pelo Campeonato Espanhol, e contra o Manchester City, pela Liga dos Campeões, em cobranças defendidas pelos goleiros adversários. No mesmo intervalo, o atacante marcou de pênalti contra Villarreal, Real Sociedad — em duas oportunidades —, Manchester City e Atlético de Madrid. Em outras partidas do clube espanhol, porém, a preferência ficou com Kylian Mbappé, responsável por 11 cobranças, das quais converteu dez.
Gabriel Martinelli, outro nome que aparecia à frente de Vinícius Júnior na lista da comissão técnica, teve amostragem ainda menor. O atacante do Arsenal cobrou apenas um pênalti na última temporada, convertido na disputa contra o Paris Saint-Germain, na final da Liga dos Campeões. Apesar do aproveitamento de 100%, o volume reduzido de cobranças limita comparações estatísticas com os demais atletas.
A escolha de Bruno Guimarães ganhou ainda mais repercussão pelo contexto da partida. O pênalti foi marcado aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Brasil e Noruega empatavam por 0 a 0. A defesa da cobrança impediu que a seleção abrisse vantagem em um confronto que terminaria com a eliminação brasileira do Mundial, ampliando os questionamentos sobre os critérios adotados pela comissão técnica para uma das decisões mais relevantes do jogo.