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Venezuela

Policiais são presos por saques na Venezuela

Agentes foram expulsos do principal órgão de investigação criminal após denúncia de saque durante operações de resgate em La Guaira
Por O Correio de Hoje
03/07/2026 | 17:22

Quatro policiais do Corpo de Investigações Científicas, Criminais e Forenses (CICPC), principal órgão de investigação criminal da Venezuela, foram presos e expulsos da corporação após serem acusados de furtar dinheiro e outros bens encontrados nos escombros de edifícios destruídos pelos terremotos que atingiram o estado de La Guaira na semana passada. O caso ocorreu durante as operações de busca e resgate e provocou forte repercussão no país, levando o governo a anunciar punições imediatas aos envolvidos.

Em comunicado oficial, o CICPC informou que os agentes “desviaram-se de seus deveres” ao se apropriarem de objetos de valor pertencentes às vítimas da tragédia. O diretor da instituição, Douglas Rico, determinou a demissão “definitiva e irrevogável” dos quatro policiais e informou que todos foram encaminhados à Justiça para responder pelas acusações.

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Agentes do órgão de investigação criminal são acusados de furtar dinheiro entre escombros após terremotos - Foto: reprodução / internet

Segundo relatos divulgados pela imprensa local e por veículos internacionais, o episódio veio à tona após um dos policiais ser filmado no condomínio Vallarta, em Playa Grande, carregando uma sacola com notas de US$ 100 supostamente retiradas de apartamentos destruídos pelo terremoto. Moradores cercaram o agente, recuperaram o dinheiro — estimado em cerca de US$ 10 mil — e registraram a ação em vídeos que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, intensificando a indignação pública.

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que o governo adotará uma postura rigorosa diante de qualquer integrante das forças de segurança que tente se beneficiar da tragédia.

“Houve uma denúncia de que alguns agentes do CICPC estavam praticando atos obscenos e indecentes na área da tragédia. Eles foram identificados e expulsos da instituição, dessa digna instituição de trabalhadoras e trabalhadores, por desonrarem o uniforme.”

Cabello acrescentou:

“Seremos muito mais severos com aqueles que, usando uniforme, quiserem se aproveitar da dor e dos bens alheios em um momento de grande comoção.”

As prisões ocorrem em meio ao agravamento da crise humanitária provocada pelos terremotos registrados em 24 de junho. Segundo os balanços oficiais mais recentes, ao menos 1.943 pessoas morreram, mais de 10,5 mil ficaram feridas e aproximadamente 250 edifícios desabaram, principalmente em La Guaira, estado mais atingido pelos tremores. As equipes de resgate continuam atuando na busca por sobreviventes sob os escombros.

Nos últimos dias, entretanto, as denúncias de saques passaram a atingir não apenas civis, mas também integrantes das forças de segurança. Organizações humanitárias, moradores e voluntários relataram casos de apropriação de bens, bloqueio de doações e outras irregularidades durante as operações de socorro, aumentando a pressão sobre as autoridades venezuelanas.

A tragédia continua mobilizando equipes nacionais e internacionais. Nesta quinta-feira, um vigilante de 44 anos foi resgatado com vida após permanecer quase oito dias sob os escombros de um centro comercial em La Guaira, em uma operação conduzida por socorristas venezuelanos e equipes estrangeiras. O resgate renovou as esperanças de localizar outros sobreviventes, embora as autoridades reconheçam que as chances diminuem à medida que o tempo avança.

Enquanto prosseguem os trabalhos de busca e assistência às vítimas, o episódio envolvendo os policiais amplia o desgaste da resposta oficial ao desastre e reforça os desafios enfrentados pelas autoridades para preservar a ordem pública e a confiança da população durante a maior tragédia recente registrada na Venezuela.