O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ter obtido ao menos US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões) em receitas ao longo de 2025, primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca. Os dados constam na declaração financeira anual divulgada pelo governo norte-americano e apontam uma expansão expressiva do patrimônio e das receitas do republicano, impulsionada principalmente pelos negócios da família no mercado de criptomoedas. O documento também reacendeu o debate sobre possíveis conflitos de interesse entre suas atividades empresariais e o exercício da Presidência.
Segundo o relatório, aproximadamente US$ 1,4 bilhão das receitas teve origem em empreendimentos ligados a ativos digitais, setor que se tornou a principal fonte de renda do presidente. A cifra representa uma mudança significativa em relação aos anos anteriores, quando os negócios imobiliários respondiam pela maior parte do patrimônio da família Trump.

O principal ativo é a World Liberty Financial, empresa criada por Trump em conjunto com seus filhos. De acordo com a declaração financeira, o presidente recebeu cerca de US$ 500 milhões com a venda de tokens da companhia em 2025, acima dos US$ 57 milhões registrados no ano anterior. O modelo de negócios prevê que uma empresa ligada à família Trump receba 75% da receita obtida com a comercialização da moeda digital $WLFI, descontadas determinadas despesas.
Outra importante fonte de receita foi a memecoin $TRUMP, lançada poucos dias antes da posse presidencial. O relatório aponta arrecadação superior a US$ 600 milhões com a comercialização do ativo digital. Após forte valorização inicial, porém, a criptomoeda perdeu cerca de 80% de seu valor de mercado ao longo do último ano, refletindo a elevada volatilidade característica desse segmento.
A declaração financeira também registra receitas provenientes da venda de parte da participação da família na World Liberty Financial. Uma das operações mais relevantes envolveu uma empresa de investimentos ligada aos Emirados Árabes Unidos, que adquiriu 49% da companhia poucos dias antes da posse presidencial. O documento informa ainda que investimentos financeiros renderam mais de US$ 200 milhões ao presidente, embora não detalhe a origem específica desses recursos.
A proximidade temporal entre o investimento estrangeiro e decisões da administração norte-americana relacionadas aos Emirados Árabes Unidos ampliou questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse. Após a operação societária, o governo Trump aprovou acordos envolvendo exportações de chips avançados para inteligência artificial ao país do Oriente Médio, tema que motivou críticas de especialistas em ética pública e governança. A Casa Branca nega qualquer irregularidade.
Além das criptomoedas, a Organização Trump ampliou a exploração internacional da marca do presidente. Contratos de licenciamento para empreendimentos imobiliários na Arábia Saudita e no Catar renderam mais de US$ 14 milhões em 2025. Projetos desenvolvidos em outros países do Oriente Médio responderam por pelo menos US$ 35 milhões em receitas, enquanto operações no Vietnã, Romênia, Índia, Turquia e Indonésia adicionaram mais de US$ 20 milhões ao faturamento.
Segundo a declaração financeira, os ativos de investimento de Trump passaram de pelo menos US$ 236 milhões em 2024 para cerca de US$ 857 milhões no fim de 2025. O crescimento acompanha a diversificação da carteira, que hoje reúne participações em empresas de criptomoedas, ativos financeiros, contratos de licenciamento e investimentos internacionais.
Ao ser questionado sobre possíveis conflitos entre sua atuação como presidente e seus interesses privados, Trump afirmou que não participa diretamente da administração de seus investimentos.
“Eu, propositalmente, nunca falo com nenhuma das pessoas que administram o dinheiro.”
Em seguida, acrescentou:
“Sabe por que estou lucrando? Porque o mercado de ações está subindo.”
A Casa Branca também rejeitou as críticas. Em declaração divulgada anteriormente, a porta-voz Anna Kelly afirmou que Trump “age apenas no melhor interesse do povo americano” e que “não há conflitos de interesse”. O presidente já declarou em outras ocasiões que considera não estar sujeito às regras federais de conflito de interesses aplicáveis aos integrantes do Poder Executivo.
Especialistas observam que o avanço das receitas provenientes de criptomoedas coincide com uma mudança de postura política de Trump em relação ao setor. Após criticar os ativos digitais em anos anteriores, o presidente passou a defender políticas de incentivo ao mercado, sancionou legislação voltada às stablecoins e sua administração flexibilizou parte da supervisão regulatória sobre determinados criptoativos, medidas que beneficiaram um segmento no qual sua família mantém participação direta.